“Nas Asas do Pensamento...”
“(...) Posso pisar céu mesmo preso ao chão, o que me leva são as notas da canção... eu me encontro neste acorde, neste tom; e me transporto, vou nas asas deste som. Colho as palavras no jardim da inspiração. E uma saudade faz cantar a minha voz. Eu fui criado pra voar e ir mais além, ir ao mais distante, além do que posso compreender; o infinito é meu lugar. Nada termina, nada tem ponto final. Nada se encerra onde os olhos podem ver. Depois da pausa... continua a canção. Pôs em meu peito a vontade de cantar... versos que falam sobre nós... claves... asas que podem nos levar a provar o céu (...)”. Que belas estas palavras de Pe. Fabio de Mello. Elas vão de encontro à reflexão que trago nesta conversa. Pois estes nossos encontros postados, não são mais do que simples conversas. Pois é assim que tratamos com os amigos. Você leitor é um amigo, se assim em permite dizer. E os amigos são assim, ora concordam e ora discordam-se em conversas. Mas ambos estão caminhando rumo a novas descobertas. Perdoe-me se às vezes não sei me expressar, e assim pareço ser inflexível ou incoerente. É que estou em construção. Mas creia não é minha intenção. Gostaria que todos tivessem a chance de descobrir o que descobri em meio à dor: O valor de refletir sobre a vida com olhos diferente do que costumamos ver. Gostaria de saborear seus, sim seus, infinitos pensamentos e moções traduzidas em textos, em conversas. Pois o mundo deixou de pensar faz tempo. Hoje não se ensina mais nas escolas como se obter respostas. As informações, os conceitos já nos são apresentados prontos. Roubaram-nos a emoção de criar, conhecer, questionar e pensar. Mesclaram a nossa originalidade. Rubem Alves, em seu texto “Pensar”, vai questionar isso dizendo: “(...) O que faz um quadro não é a tinta: são as idéias que moram na cabeça do pintor. Somos pobres em idéias. Não sabemos pensar. É com idéias que o mundo é feito. Minha filha me fez uma pergunta ‘O que é pensar?’... se tivesse dado a resposta, teria com ela cortado as asas do pensamento. O pensamento é como águias que só alça vôo nos espaços vazios do desconhecido. Pensar é voar sobre o que não se sabe. Não existe nada mais fatal para o pensamento que o ensino das respostas certas. Para isto existem as escolas: não para ensinar as respostas, mas para ensinar as perguntas. As respostas nos permitem andar sobre terra firme. Mas somente as perguntas nos permitem entrar pelo mar desconhecido. As asas, para o impulso inicial do vôo, dependem de pés apoiados na terra firme. Nas palavras de Roland Barthes: ‘Há um momento em que se ensina o que se sabe...’ e o curioso é que esse aprendizado é justamente para nos poupar da necessidade de pensar. E a condição para que minhas mãos saibam bem é que a cabeça não pense sobre o que elas estão fazendo. Um pianista que, na hora da execução, pensa sobre os caminhos que seus dedos deverão seguir, tropeçará fatalmente. Há a estória de uma centopéia que andava feliz pelo jardim, quando foi interpelada por um grilo: ‘Dona Centopéia, sempre tive curiosidade sobre uma coisa: quando a senhora anda, qual dentre as suas cem pernas, é aquela que a senhora movimenta primeiro?’ ‘Curioso’, ela respondeu. ‘Sempre andei, mas nunca me propus esta questão. Da próxima vez, prestarei atenção.’ Termina a estória dizendo que a centopéia nunca mais conseguiu andar. Só se sabe bem com o corpo aquilo que a cabeça esqueceu. Ensinar, aqui, é inconscientizar. Não é coisa que eu tenha inventado. Me foi ensinado. Não precisei pensar. Gostei, foi para a memória. Só vai para a memória aquilo que é objeto de desejo. A tarefa primordial do professor: seduzir ao aluno para que ele deseje e, desejando, aprenda. A memória... Permite que andemos pelas trilhas batidas. Mas nada tem a dizer sobre mares desconhecidos. Aqui se encontra o perigo das escolas: fazers os alunos se esquecerem de que o seu destino não é o passado cristalizado em saber, mas um futuro que se abre como vazio, um não-saber que somente pode ser explorado com as asas do pensamento. Compreende-se então que Barthes tenha dito que, seguindo-se ao tempo em que se ensina o que se sabe, deve chegar o tempo quando se ensina o que não se sabe (...)”.
Este é o papel do professor: ajudar o aluno a pensar. Não podemos ser pretensiosos em pensar que nós mudamos as pessoas, em pensar que o professor mudará o aluno. Ele provoca, para que busque sua própria mudança. As respostas que há em nós e no outro. O conhecimento é perigoso, pois pode nos trazer arrogância. Mas por outro lado ajuda refazermos idéias pré-concebidas. O convite que deixo é que possamos alçar vôo sem medo do desconhecido. “Pois podemos pisar o céu, mesmo presos ao chão... com asas que podem nos levar a provar o céu”!
(By Paulo S C Filho – Texto: “Nas asas do pensamento...”)
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Eu diria que poderemos prestar uma ajuda extraordinária conscientizando-nos profundamente, de forma meditativa, de que toda e qualquer educação nada tem a ver, no fundo, com a verdadeira individualidade do homem; de que efetivamente nós, como educadores e docentes, em suma temos a tarefa de postar-nos respeitosamente diante da individualidade, proporcionando-lhes as possibilidades de seguir suas próprias leis evolutivas(...).
Mensagem de Rudolf Steiner
realmente por culpa do sistema ou de nós educadores..não estamos educando para que se possa pensar..e o nosso país esta entindo falta d egrande pensadores...nosso país e talvez o mundo deixaram de pensar....e por falta de pensamentos estamos a beira do caos...a soluçaõ teria varias..mas é melhor eu pensar antes de responder...
Olá,
Despertou-me a atenção o título as "Nas Asas do Pensamento" que me levou a espreitar se era o mesmo artigo que tenho na minha página do site pessoal que podem ver aqui:
http://www.novaera-alvorecer.net/fernao_capelo_gaivota.htm
Abraços
Rui Palmela
Setúbal - Portugal