Como falar sobre morte com as crianças?

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Olá, sou Michelle Dufour apresentadora do Jornal da Cultura. Diante do caso da morte da menina Isabella Nardoni, de 5 anos, as crianças têm sido bombardeadas com imagens e informações sobre atos de violência. Nesta quarta-feira, dia 16 de abril, vamos apresentar uma reportagem sobre o medo infantil e ouvir de especialistas qual é a melhor forma de tratar deste assunto com as crianças.

A morte só é conhecida quando nos deparamos com o sentimento de perda. Para as crianças é complicado entender que tudo que compreende sua realidade esta sujeito a desaparecer sem muitas explicações. Assim, penso que falar sobre a morte com as crianças exige uma comparação com algo que tenha uma valoração muito forte para elas. No caso, a ausência de vida pode ser equiparada a ausência de um objeto com o qual a criança se identifique e que longe dele ela construa a idéia de dor e do agir em defesa daquilo que é considerado um BEM protegido em seu universo real.

Pedro Lopes

A morte é algo simples comoa vida. Dê de presente para a criança um livro do Réri Porter e os segredos da morte. Acho legal a maneira como esta assunto é tratado no livro.

Guilherme Moraes dos Santos

Difícil! Talvez a única coisa que não deve ser feita é colocar a perda da pessoa como algo ruim, embora seja uma pequena mentira.

Acho que não tem receita nesse caso, depende do momento em que surge a pergunta. As crianças percebem facilmente qualquer fingimento ou artificialidade, o melhor é ser honesto e sincero. As crianças estão com medo, então eu investiria na idéia do diálogo prevenindo a violência, algo assim: "bom falarmos nisso, porque afastamos o fantasma que faz umas pessoas machucarem outras", se da mesma forma eu sentisse o medo na criança, eu diria bastante focado que "ninguém quer fazer mal a ela". Quanto ao conceito específico de morte, eu esperaria ouvir essa palavra, nessa hora, se a pergunta fosse: "o que é morte?", eu responderia que também não sei, e se fosse "o que é matar?", responderia que é tirar a vida de outra pessoa. Acho que terminei minha mensagem. Espero ter sido útil.

Cristian Korny
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