Cultura barata, multidão e a realidade de São Paulo

3

No Palco dos Festivais Independentes, a música bem alta. O Pátio do Colégio estava lotado! A Virada havia começado há cerca de três horas, assim, a multidão já começava a se concentrar em torno dos principais palcos, preparando-se para virar noite a fora. O maior público do evento concentrou-se, sem dúvida, na madrugada.

Muitas pessoas reunidas em rodinhas, celulares nas mãos, na dificultosa tentativa, de conseguir se fazer escutar e, em seguida, marcar um ponto de encontro. Ao lado, duas meninas se beijando. Nenhum incômodo aparente! A diversidade é o mote da Virada.

Deslocada da multidão, próximo a um dos muitos pontos da Guarda Civil espalhados pelo centro de São Paulo para o evento, uma van encostou e dela desceram duas pessoas uniformizadas em azul. Quem são elas? Agentes de proteção social. Eles não podem dar entrevista oficial sem autorização da Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS), ainda que seja para a divulgação de seu trabalho. De qualquer maneira, em alguns minutos de conversa, eles falaram um pouco sobre sua atividade social, implementada em algumas regiões da cidade, na madrugada da Virada Cultural e em todas as outras madrugadas do ano.

Quem visitou a Virada teve a oportunidade de ver de Zé Ramalho, Arnaldo Antunes, Fernanda Takai e Jorge Ben Jor a diversas outras manifestações culturais independentes, como trapezistas nas ruas, Maracatu e estátuas vivas. Teve a oportunidade também de observar a quantidade de moradores de ruas espalhados pelas ruas do esquecido centro velho da Cidade.

O trabalho desses Agentes de Proteção Social é justamente focado nos moradores de rua, adultos principalmente. A região da Praça da Sé, onde se apresentaram na Virada Cultural bandas como Mundo Livre S.A, Mechanics e MQN, é um grande foco de atuação do Programa São Paulo Protege. Esse programa fornece abrigo para pernoite aos moradores de rua.

Com o mote “Dê mais que esmola, dê futuro”, o trabalho dos agentes, entretanto, não se limita à necessidade iminente. A equipe estrutura-se em um atendimento mais amplo desenvolvido através de cadastramento dos moradores de rua, assistência psicológica, detecção das causas que motivam a pessoa a permanecer na rua e levantamento de possíveis soluções para o problema.

Além dos plantões desses agentes, outra forma de atendimento é o telefone 156, um canal de comunicação, gratuito e ininterrupto, que dá acesso ao paulistano a diversos órgãos municipais, entre eles a SMADS. Esse número de telefone poderia ter ficado bastante ocupado na madrugada de sábado para domingo.

Fundação Padre Anchieta Creative Commons blaz