"Morte em Veneza" em São Paulo
Em busca de algum entretenimento dentro da lotada agenda da virada cultural, optei então pelo cheiro de mofo e poltronas carcomidas das salas de cinema do Centro Cultural. Estava lá uma boa oportunidade de conferir um filme cultuado que não é comum ser achado em qualquer locadora.
Baseado no livro de Thomas Mann, “Morte em Veneza” narra as férias de Gustav von Aschenbach (Dirk Bogarde), um músico austríaco que decide repousar em Veneza e acaba se sentindo atraído por Tadzio (Björn Andrésen), um garoto jovem que também está de férias com a sua família.
O diretor Luchino Visconti faz uma adaptação do livro, mergulhando ainda mais nas questões filosóficas e existenciais.
A frieza germânica de Gustav, sempre em busca do equilíbrio e perfeição em sua arte, é colocada em jogo e contrasta com a sensação de culpa e insuficiência diante de seu amor platônico por Tadzio.
A complexidade de seu protagonista, também é aplicada de maneira fiel ao estilo de filmagem, onde imperam constantes minutos sem diálogos e nenhuma cena expansiva, o que é típico num filme de arte.
Após o final do filme, percebe-se que morte em Veneza ainda é atual nos dias de hoje. Embora ambientada em outra época, tormentos e questionamentos sobre moral e inaptidões para com o mundo, são características comuns de grandes metrópoles como São Paulo. Monotonia á parte, o filme vem bem a calhar numa noite de sábado agitada e, por minha parte não pude deixar de fazer alguma associação do filme com a cidade de São Paulo.
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