Pelados no Teatro Municipal
Domingo, quase hora do almoço. As ruas do centro velho de São Paulo estavam bem mais tranqüilas que na madrugada. Não estavam vazias, claro! Afinal, era fim de semana de Virada... O clima de efervescência cultural permanecia no ar e literalmente estampado na cara das pessoas. O show do Teatro Mágico tinha acabado há menos de uma hora, então ainda era possível encontrar grupos de fãs – identificados pelos rostos pintados – andando sorrindo e de mãos dadas pelas ruas.
Céu limpo, dia bonito, ressaltando a beleza da Praça Ramos. A praça estava tomada por interessados ora pelo trailer de fotografia artesanal, ora pelas apresentações do Palco de Dança, ora pela próxima apresentação do Teatro Municipal e ora pelo banho divertido na fonte. O calor era bem forte! Certamente, muitas das pessoas que passaram falando mal dos moradores de rua que se refrescavam por ali, ficaram é com muita vontade de também dar um mergulho. A Guarda Municipal estava bem próxima. Não se incomodou com a bagunça na fonte. Era dia de festa! A Virada deste ano primou pela sensação de segurança e pelo clima de paz, pelo menos, na maior parte do tempo e dos lugares.
De repente, e aquele repente que só acontece mesmo em um dia especial como esse, jovens quase pelados chegaram gritando à praça. Mas não depravadamente pelados; pelados artisticamente, se é que isso existe, e escondendo o sexo. Cada um com o corpo todo pintado de uma cor passou a interagir com o público. Eles seguiam, imitavam, assustavam e riam, tudo ao som de uma música leve, tocada por um aparelho que estava em cima de um carrinho, empurrado por outros dois jovens, vestidos, que seguiam os artistas.
Essa manifestação artística foi encenada e organizada por estudantes de Artes Cênicas da USP e se chama “Corpos Pintados”. Ela é baseada nos quatro elementos da natureza: terra, fogo, ar e água. E foram atrás desses elementos que os artistas passaram a ir, continuando a sua performance.
A artista que representava a água, logicamente, correu para a fonte, assustando aquelas meninas que brincavam ali tranqüilas, minutos antes. Foi recebida com gargalhadas seguidas de palavrões, o que, no entanto, não a impediu de interagir com uma das meninas. Mais envergonhada que revoltada, a garota escolhida riu sem jeito cobrindo o rosto com as mãos e, em seguida, acabou afastando-se, deixando a artista seguir a companheira representante da terra que escalava naquele momento o corrimão da escadaria atrás da fonte.
Quando chegaram à rua Coronel Xavier de Toledo, as proporções da manifestação artística aumentaram ainda mais. Os artistas literalmente pararam o trânsito, subindo em cima dos carros e mexendo muito com os motoristas, transeuntes e curiosos que seguiram de perto toda a apresentação. Flashes por todos os lados. Todos queriam fotos dos pelados subindo sobre os carros.
E não parou por aí! O próximo passo foi invadir o Teatro Municipal, que estava fechado para o público até o início da distribuição de ingressos para a próxima apresentação. As pessoas estavam tão entretidas com a cena que, provavelmente, não perceberam quando uma daquelas crianças (que brincavam na fonte antes de tudo isso começar) tentou também pular os muros do teatro, seguindo os artistas, e foi impedida bastante rigidamente por um segurança do Teatro.
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Se alguém quiser dar uma olhadinha em algumas fotos das artistas, pode dar uma olhada no meu Flickr. Os links:
http://www.flickr.com/photos/26023255@N03/2446147397
http://www.flickr.com/photos/26023255@N03/2446971016 http://www.flickr.com/photos/26023255@N03/2446149061
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