Entrevista com Fernanda Takai após seu show na Virada Cultural 2008
Marcio Souza, correspondente do radar cultura, no Palco das Meninas.
Esta entrevista foi realizada no dia 27 de Abril de 2008, as 18:30hs.
Marcio: Fernanda, eu queria saber o que você acha das mulheres que estão por trás de tudo, por exemplo: produtora, que ajudou a montar. Aqui é o palco das Meninas, mas e essas outras meninas?
Fernanda Takai: Na minha equipe eu tenho uma baterista que canta e toca bateria muito bem, minha produtora está me acompanhando também, tem várias mulheres. Acho que, as mulheres são muito competentes, quanto mais espaço a gente ocupar como cantora, e como todo mundo que esta ligado a esta produção final, é sempre melhor. O mundo todo ele só vai para frente quando homens e mulheres têm papéis valorizados, onde você chama a pessoa pra colaborar e ela faz com competência, e isso não é porque você é homem ou mulher que você é melhor ou pior. Então acho que agente tem que trabalhar junto, acho que a sensibilidade feminina e essa coisa que agente tem de fazer várias coisas ao mesmo tempo, acho que a mulher tem essa capacidade: está falando no telefone, escrevendo e resolvendo um negócio lá na frente, para quem trabalha nesse ramo de espetáculo é uma habilidade e tanta. Então eu fiquei muito feliz, e acho que o público hoje viu uma grande noite com várias cantoras muito boas, cada uma no seu estilo. Agente tinha desde samba, pop/rock, cantoras cantando em inglês. Acho que o país está muito bem servido assim nessa diversidade cultural, em termos de cantoras, cantores e bandas. Agente tem muita coisa, essa programação toda da Virada é um espelho do que agente faz no Brasil, você tem todos os gêneros bem representados, desde música erudita, música pesada, tinha um palco de heavy-metal, tinha um palco independente. Então, muito bom, eu fico feliz em estar aqui no palco das meninas, embora não seja uma menina mais né! (risos).
Marcio: É menina sim (risos). A outra pergunta é saber de onde surgiu a idéia de você fazer um CD novo, assim: “Vamos fazer!” e você se jogou de cabeça ou você ficou naquela dúvida: “Ah, não sei se vai dar certo...”?
Fernanda: Não... O Nelson Mota que teve essa idéia da gente fazer um disco todo dedicado à Nara Leão. No início eu fiquei um pouco reticente, por que eu tenho uma banda que está em atividade, que é o Pato Fu, viajo e estou viajando com a banda inclusive em turnê, mas ele afastou essa idéia da minha cabeça e falou: “É um projeto bem específico, não significa que você vai parar a banda pra fazer uma carreira solo, e deixar a banda parada.” Eu estou fazendo as duas coisas ao mesmo tempo, e foi muito bom ele ter me convencido disso, porque é um momento especial da minha carreira, eu me encontrei com um público bem diferente do público que me acompanha. O Pato Fu é uma banda que transita no universo pop/rock, então eu tenho certa gama de ouvintes que ouvem determinadas rádios, assistem determinados programas de televisão, enfim. Eu tenho feito shows para uma platéia que... Mesmo eu tendo 15 anos de carreira, muita gente está me ouvindo pela primeira vez. Isso tudo por conta deste disco que é um disco de clássicos da música brasileira e tem o nome da Nara ali. Os fãs da Nara ficam curiosos. Eu espero não desapontá-los (risos).
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