Diversidade do público marca a Virada Cultural
Mesmo com o dobro do tamanho este ano, não era difícil encontrar shows lotados pelo centro da cidade durante a Virada Cultural. Mas o que diferenciava esse final de semana carregado de atrações – uma constante na agenda cultural da capital paulista – era a diversidade de gostos, estilos e gerações apreciando os mesmo artistas. Termômetro da ecleticidade de São Paulo, a Virada não só foi um projeto de incentivo à ocupação da região central pelos paulistanos, como também permitiu a divulgação e a popularização de artistas à novos públicos.
Exemplo disso era o palco Boteco dos Bambas na tarde de domingo, montado no largo Santa Efigênia e dedicado à grupos de samba de roda, em formato de botequim. Logo na primeira fila em frente ao palco, a funcionária pública Marlene Moura, 61, acompanhava animada a apresentação do Quinteto em Branco e Preto com Dona Ivone Lara, um dos maiores expoente da música brasileira dos anos sessenta. Para Marlene, a mistura é fundamental para o sucesso do evento. “Mesmo com a diferença dos gêneros, tem que haver união. Não tem discrição, todos são iguais”, defende.
Moradora do bairro de Santa Efigênia, região cunhada de “Boca do Lixo”, faz caminhadas pelo centro todas as manhãs e acredita que a região é um bom local para se morar. “Moro perto do serviço, tudo que preciso fica próximo e tenho vários acessos aos bairros”. Mas concorda que atualmente há degradação. “No dia-a-dia o trânsito e a mendicância incomodam”, constata.
Dançando incessantemente na área reservada aos convidados do mesmo palco, a estudante Maiusi, 16, também mora no centro e afirma que o entorno tem boas opções de diversão para os jovens. “Vou à Bela Vista assistir aos ensaios da Vai-Vai e em algumas baladas de Psy. Aqui é seguro e movimentado, já me acostumei com o barulho”, disse.
Do outro lado do centro, voltando da primeira apresentação do Palco São João, na avenida de mesmo nome, realizado pela cantora cabo-veridiana Cesária Évora, conhecida como “diva dos pés descalços”, a professora de geografia Mariana, 54, optou por um roteiro mais tranqüilo. “Gostei muito da apresentação de capoeira e do Palco Instrumental”, disse. Segundo ela, a diversidade do evento é o cartão de visitas da cidade. “Essa mistura toda de povo de idades e estilos diferentes é o retrato de São Paulo”. Mas não garantiu que passaria a madrugada na Virada. “Não vou virar porque a idade não permite”, brinca.
Paulo Scheuer – Jornalismo Cásper Líbero e Correspondente do Radar Cultura
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