Parada Gay: militância ou festa popular?
A 12º Parada Gay de São Paulo reuniu segundo estimativas, cerca de cinco milhões de pessoas na tarde de ontem. Entre tantos militantes, havia também muitos casais heterossexuais e muitas famílias.
Seria tudo muito lindo e harmonioso se no meio dessa festa toda, todos os participantes dessa marcha por justiça social, de fato se interessassem ou ao menos se interassem dos assuntos relacionados às reinvindicações e os protestos feitos pela Organização do Movimento GLBTT de São Paulo.
Grande parte dos presentes apenas prestigia a passeata pelo fácil acesso às bebidas (que são vendidas sem fiscalização), e às drogas (infelizmente com forte presença no evento).
Considerei de estranheza singular a presença de tantas famílias, muitas delas com crianças pequenas, outras nem tanto, mas que de qualquer forma não entendiam muito bem o significado de toda aquela movimentação. E é baseando-me nessas questões que me pergunto quantas dessas famílias realmente transmitem às suas crianças (algumas delas certamente futuros militantes da causa), o valor de se respeitar o próximo, de respeitar a diversidade, ou ao menos se a diversidade é bem exemplificada à estes pequenos. Ou se a Parada não passa mesmo de um “carnaval de rua” e as drags não passam de “bonecos” ou “palhaços” que servem apenas para divertir e tirar fotos que servirão de meros cartões postais.
Não quero levantar aqui algum tipo de polêmica ou incentivo para que os pais expliquem exatamente tudo o que se passa em eventos como a Parada Gay, mas sim levantar uma reflexão sobre o que leva estes cidadãos à saírem de suas casas para ir até a Avenida Paulista,lotada, embaixo de um sol de quase 30 graus apenas para rir de algo tão sério e político como o movimento GLBTT. E mais, gostaria de entender como estes cidadãos podem “respeitar” a diversidade sexual neste único dia, e nos outros 364 dias do ano continuarem a olhar com estranheza todo e qualquer cidadão que esboce uma “opção” sexual diferente do que se é considerado normal?
Ontem ao voltar para casa depois da Parada, pensei em como seria se estas pessoas tirassem as vendas dos olhos no dia-a-dia, e não apenas nesse 25 de maio. Como seria se ao cair da noite, conversassem com seus filhos sobre a diferença sexual e ensinassem a exercer respeito pelo outro. Seria a construção de um país de constituição homogênia em seus valores. Seria o sonho de harmonia entre o diferente e o igual.
Por: Karoline Pereira
Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação - FAPCOM
As imagens sobre esta e as demais manifestações da Gay Week podem ser encontradas no endereço: http://www.flickr.com/photos/karoll22/
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Algumas militâncias viram festa mesmo! Fui e vi coisas que não concordam com o debate proposto pela Parada. Mas acredito que é normal o descompromisso geral com o movimento. Não dá pra impedir as manias festeiras, é muita gente! Ninguém resiste à bagunça, não?
Concordo ! TEm muita gente que vê uma grande festa a parada ao inves de ser uma organização unida na conquista de direitos.
Guilherme Moraes dos Santos
carnavalizaram a sexualidade e dizem que isso é conquista de direitos.
Concordo plenamente! Virou um carnaval generalizado: fantasias, rebolados, programas de tv que se comportam como se estivessem no Gala Gay, sem nehuma alusão ao que inspirou a criação da parada. Sem massa crítica.
A HOMOSSEXUALIDADE VIROU TEMA DE CHACOTA, PIADA, ESCARNIO, ZOMBARIA , ENTRE OUTROS ADJETIVOS PEJORATIVOS. FALTAM AQUELES QUE DEFENDEM ESSA "DIFERENÇA" DE OPÇÃO UM POUCO MAIS DE RESPEITO PRÓPRIO SEM TANTA ANARQUIA E ESCULHAMBAÇÃO. ELES NEM SE QUER RESPEITAM OS SEUS SEMELHANTES, COSTUMAM RIDICULARIZÁ-LOS, COM PIADAS E COMENTÁRIOS DESRESPEITOSOS. ABAIXO A MENTIRA DA "IGUALDADE", ELA NUNCA EXISTIU.
UM GRANDE ABRAÇO.