Cobertura jornalística de ( )conferência ( )fórum (x )encontro (x)outros, sobre o tema educação
E de debates? Foi ou não foi pênalti no Acosta? Bem, veeeja bem, veeja bem, veja bem... Abandonaram a obra.
Fortalecimento dos Conselhos Escolares
Autor: MEC
Data: 9/6/2008
Acontece nos dias 18, 19 e 20 de junho o I Encontro de Fortalecimento dos Conselhos Escolares, em Manaus. O Encontro é uma iniciativa do Ministério da Educação, por meio do Programa de Fortalecimento dos Conselhos Escolares. Este evento de capacitação é destinado aos dirigentes e técnicos da Secretaria de Estado da Educação e Qualidade de Ensino do Amazonas e das secretarias de educação dos municípios amazonenses. Tem como meta subsidiar a elaboração pelos técnicos designados pelo projeto de organização e fortalecimento dos conselhos escolares em seus respectivos sistemas de ensino. Cada Secretaria Municipal de Educação poderá inscrever 2 participantes até o dia 11 de junho.
Mais informações
61 2104 8666
www.mec.gov.br/seb/conselhoescolar
Ficha de Inscrição e Programa do Encontro
Conselhos Escolares - Notícias
Fortaleza realiza seu II Encontro Municipal de Formação dos Conselheiros Escolares
10/11/2007
1.300 participantes estiveram no II Encontro Municipal de Formação dos Conselheiros Escolares de Fortaleza, realizado
entre os dias 7 e 9 de novembro.
“É uma experiência ímpar em termos de mobilização e participação popular”, afirma o Prof. Arlindo Queiroz, Diretor do
Departamento de Projetos Educacionais do MEC. Foram ao Encontro representantes de todos os segmentos dos
Conselhos Escolares: pais, professores, alunos, diretores, funcionários da escola e comunidade local.
Durante o evento, nos dias 8 e 9, foram realizadas oficinas de formação para os presidentes de conselho escolar e os
segmentos pais e alunos. As oficinas são orientadas por técnicos e consultores do MEC, que utilizam o material didáticopedagógico
do Programa Nacional de Fortalecimento dos Conselhos Escolares.
O evento também teve por objetivo preparar os Conselheiros Escolares para a Conferência Municipal de Educação, dias
17 e 18 de novembro.
A CARTA DE FORTALEZA
No decorrer dos trabalhos, reconhecendo a oportunidade que se apresentava, os participantes, em conjunto, decidiram
elaborar um documento a ser encaminhado aos governantes com suas necessidades e anseios. Foi então elaborada a
“Carta de Fortaleza”, documento síntese dos debates e reflexões ocorridos nesses dias de trabalho. Era a continuidade de
um diálogo franco e direto da população com o governo sobre a educação escolar pública de qualidade iniciado no Fórum
Municipal dos Conselhos Escolares de Fortaleza.
O envolvimento e compromisso foram tão expressivos, que cada um dos segmentos dos Conselhos Escolares fez
questão de ter um de seus representantes lendo trecho da carta, ao final do evento.
Na “Carta de Fortaleza” é reafirmado o princípio da gestão democrática como condição para garantia da participação do
cidadão no planejamento e acompanhamento das ações em todos os níveis das políticas educacionais. A Carta defende a
participação como direito fundamental da cidadania “para criar uma nova ética no trato da coisa pública, centrada na
responsabilidade social, no reconhecimento da diversidade cultural e da pluralidade política dos atores sociais”.
Nela também são listados os desafios a serem enfrentados para o sucesso dos trabalhos dos Conselhos Escolares e do
Fórum Municipal dos Conselhos Escolares de Fortaleza. Leia a íntegra da Carta de Fortaleza.
PLANO MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO
Há mais de um ano Fortaleza vem discutindo o seu Plano Municipal de Educação – PME. Para esta discussão foi
instalado o Fórum Municipal de Educação. O Fórum conta com a participação efetiva de 108 delegados, dentre os quais, 30
são conselheiros escolares.
Nos dias 3 e 4, 10 e 11 foram realizadas as primeiras Pré-Conferências Regionais. Os encontros marcaram a
penúltima etapa de elaboração do documento que definirá por dez anos um conjunto de intenções e ações para a Educação
em Fortaleza. Os debates tiveram por base documentos elaborados pelos grupos do Fórum com o diagnóstico da situação
da educação em Fortaleza. Os documentos foram elaborados nos diversos fóruns que vêm ocorrendo há um ano.
Todas as ações são promovidas pela Secretaria Municipal de Educação de Fortaleza em parceria com a Secretaria de
Educação Básica do Ministério da Educação, e contam com ampla participação dos conselheiros escolares,
Portal MEC - Sitio SEB
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instituições/entidades ligadas à educação e sociedade civil organizada de Fortaleza.
Veja mais: Fotos do II Encontro de Formação dos Conselheiros Escolares de Fortaleza
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CARTA DE FORTALEZA
Os participantes do II Encontro Municipal de Formação dos Conselheiros
Escolares de Fortaleza, realizado nos dias 7, 8 e 9 novembro de 2007, no La
Maison Dunas, promovido pela Secretaria Municipal de Educação em parceria
com o Ministério da Educação, por meio do Programa Nacional de
Fortalecimento dos Conselhos Escolares, tendo em vista a necessidade de
fortalecer os conselhos das escolas da rede municipal de ensino e o Fórum
Municipal dos Conselhos Escolares de Fortaleza, considera importante tornar
pública uma síntese dos debates e reflexões ocorridos nesses dias de trabalho.
O II Encontro, ao reunir conselheiros escolares, técnicos da Secretaria
Municipal de Educação, das Secretarias Executivas Regionais e do Ministério da
Educação, evidencia um salto quantitativo e qualitativo na organização e no
fortalecimento dos Conselhos Escolares e na consolidação do Fórum dos
Conselhos Escolares, destacando avanços e inovações significativas, como a
criação da Rede de Pais.
A gestão democrática dos sistemas de ensino e das escolas públicas
coloca-se como um dos fundamentos básicos para a garantia da qualidade da
educação. O cenário educacional local, marcado pelo fomento à gestão
democrática nas escolas públicas municipais, coloca uma nova pauta de questões
para o poder público e a comunidade escolar, referentemente aos processos de
participação, projetando-os no debate político sobre as alternativas de
organização e atuação da comunidade na gestão escolar.
A prática voltada à afirmação da cidadania supõe a implementação de
mecanismos e canais de participação popular, contrapondo-se à tendência de
privatização e de esvaziamento do espaço público. Neste sentido, a modernização
do poder público implica a participação da sociedade na definição e
materialização das políticas públicas.
O conselho escolar apresenta-se, portanto, como um mecanismo de
garantia da participação do cidadão no planejamento e acompanhamento das
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ações, não somente no âmbito da escola, mas em todos os níveis das políticas
educacionais. Formado por representantes dos segmentos de estudantes, pais,
funcionários, professores, diretor e representante comunitário, o Conselho, por
ser um espaço privilegiado para o exercício da democracia, tem por desafios
cotidianos o enfrentamento de mudanças qualitativas na lógica e dinâmica da
gestão pública ao congregar as vozes dos diversos segmentos que compõem a
comunidade escolar e local.
Construir um novo paradigma de gestão escolar implica vivenciar uma
cultura política democrática, que pressupõe a defesa da participação como direito
fundamental da cidadania criando assim uma nova ética no trato da coisa pública,
tanto dos governantes como da sociedade civil, especialmente no âmbito da
escola, centrada na responsabilidade social, no reconhecimento da diversidade
cultural e da pluralidade política dos atores sociais.
Considerando que a democracia é um processo em construção, a
participação da sociedade local na gestão escolar significa garantir:
• o compromisso de todos, no sentido de construir uma escola de qualidade
referenciada pelo social como condição indispensável à formação do
estudante e ao exercício da cidadania;
• o direito igual à participação por meio do acesso à informação, formação e
a ações voltadas à construção de uma gestão escolar democrática;
• a ampliação das conquistas da democracia representativa tornando-a, cada
vez mais democracia participativa e fortalecendo, desse modo a
construção de uma sociedade mais justa, igualitária e cidadã;
• a efetiva participação popular na gestão escolar municipal por meio do
exercício da transparência e da legitimidade democrática às decisões da
comunidade.
Nessa perspectiva, estão sinalizados para fortalecer os Conselhos
Escolares e o Fórum Municipal dos Conselhos Escolares de Fortaleza os
seguintes desafios:
• No âmbito do Conselho Escolar:
o construir o Plano de Trabalho Anual, com a participação das
comunidades escolar e local, levando em consideração a
discussão, análise e revisão do Projeto Político-Pedagógico da
Escola;
o firmar parcerias, tendo em vista o enriquecimento do processo
educativo considerando as necessidades priorizadas pela
sociedade;
o realizar mensalmente reuniões de planejamento e avaliação das
ações desenvolvidas pela escola, tendo como foco a qualidade
da aprendizagem;
o criar um calendário de reuniões ordinárias;
o realizar estudos para elaborar uma proposta que garanta o
tempo para o exercício da função de presidente e dos demais
membros do Conselho Escolar;
o criar a memória das atividades do Conselho Escolar;
o dispor de suporte técnico especializado para assessorar a gestão
administrativa, financeira e pedagógica;
o mobilizar os Conselheiros Escolares com vistas ao
fortalecimento dos processos democráticos no âmbito da escola,
inclusive a eleição direta para diretor escolar;
o criar e/ou revitalizar o Mural do Conselho Escolar favorecendo
a transparência, a organização e socialização de suas ações;
o estimular a abertura das unidades escolares para atividades
relevantes ao processo de ensino-aprendizagem (Encontros,
Seminários, Atividades Esportivas e outras);
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o divulgar amplamente o papel do Conselho Escolar e sua
relevância para a melhoria da qualidade social da educação;
o fortalecer a Rede de Pais;
o criar a Rede de Estudante;
o assumir o papel político de espaço de deliberação dos
principais interesses que envolvem a construção de um projeto
político-pedagógico, constituindo-se efetivamente como espaço
aberto, permeável às aspirações da comunidade escolar;
o participar do planejamento pedagógico escolar.
• No âmbito do Fórum:
o manter um banco de sugestões de fornecedores de bens
materiais e serviços;
o fomentar uma política continuada de formação dos conselheiros
visando garantir a reflexão sobre o processo e os resultados;
o integrar os Conselhos Escolares e as equipes técnicas da
Secretaria de Educação e das Secretarias Executivas Regionais;
o garantir a certificação dos Conselheiros Escolares atuantes;
o garantir que o Conselho Escolar seja responsável pela
discussão, definição das prioridades da escola e aprovação do
Plano de Aplicação Financeira, acompanhamento e prestação de
contas
o fomentar a construção da Rede de Estudantes;
o fortalecer a rede de pais;
o fomentar a criação da Ouvidoria dos Conselhos Escolares;
o orientar a revisão dos Estatutos dos Conselhos Escolares e
regimento escolar;
o criar laços de solidariedade e espaços de diálogo entre os
diferentes segmentos do Conselho Escolar e o governo,
organizando processos de sistematização, intercâmbio, análises
e formulação de políticas públicas alternativas;
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o resguardar a autonomia política e assumir cada vez mais um
papel propositivo na elaboração das políticas públicas, assim
como no acompanhamento e na fiscalização da sua execução.
Nessa perspectiva, os participantes do II Encontro reafirmam que o
compromisso de todos, no sentido de construir uma escola de qualidade
referenciada pelo social constitui, sem dúvida, uma condição indispensável à
formação do estudante e ao exercício da cidadania. A escola pública popular
poderá contribuir significativamente para a democratização da sociedade, como
espaço privilegiado para o exercício da cidadania consciente e comprometida
com os interesses da maioria socialmente excluída, como também para construir
um movimento político, a partir da própria escola, de valorização dela própria.
Fortaleza, 9 de novembro de 2007.
Conselheiros Escolares
Participantes do II Encontro Municipal de Formação
dos Conselheiros Escolares de Fortaleza
Portaria nº 11/2008
A Secretária Municipal da Educação de Fortaleza no uso de suas atribuições, considerando o disposto no Art. 14, II da Lei nº 9.394/96, com o intuito de favorecer o efetivo funcionamento dos Conselhos Escolares e contribuir para o fortalecimento da gestão democrática e participativa,
Resolve:
Art. 1º. Disponibilizar 50% (cinquenta por cento) da carga horária da jornada de trabalho do professor escolhido como Presidente, entre os membros do Conselho Escolar eleito pelos segmentos escolares da sua unidade de trabalho, visando assegurar as condições requeridas ao pleno exercício da função a ele confiada, observando as seguintes diretrizes administrativo-funcionais:
1) A medida será aplicável somente aos profissionais docentes do quadro efetivo do Grupo Ocupacional do Magistério Público Municipal, em exercício.
2) A carga horária liberada corresponderá sempre ao percentual estabelecido por esta Portaria e será cumprida, necessariamente, somente na Unidade de Ensino em que o professor é o Presidente do Conselho Escolar.
3) As atividades inerentes ao exercício da presidência do Conselho Escolar, em nenhuma circunstância, poderão ser objeto de troca com o horário reservado às atividades docentes para o qual o professor foi lotado, quer na mesma escola ou em outra unidade da rede municipal de ensino.
4) O afastamento da atividade docente e a disponibilização do professor para o exercício da função de presidente do Conselho Escolar não elimina os procedimentos funcionais relativos ao registro e controle da sua frequência ao trabalho.
5) A aplicação do percentual supracitado incidirá sobre o teto máximo de 240 (duzentos e quarenta) horas-aula.
6) As carências ocasionadas pelos afastamentos de que trata a presente Portaria, serão consideradas provisórias e, portanto, serão sempre supridas por professor-substituto ou por professor com aditivo temporário de carga horária.
7) Quando o afastamento de professores lotados em Salas de Apoio Pedagógico, Salas de Leitura, Bibliotecas e Laboratórios de Informática ocasionar incompatibilidade com a carga horária definida como critério para a lotação nestes ambientes (Portaria nº 08/2008), será adotado um novo procedimento de lotação correspondente ao tempo de exercício de mandato e carga horária, no sentido de evitar prejuízo ao processo de desenvolvimento do ensino e gestão.
8) Ao final do mandato de Presidente do Conselho Escolar, será assegurada a lotação na mesma Unidade de Ensino, com a mesma carga horária e turno de trabalho exercido pelo professor no momento do seu afastamento.
Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação.
Fortaleza, 03 de março de 2008.
Ana Maria Carvalho Fontenele
Secretária Municipal de Fortaleza
FONTE:
www.mec.gov.br/seb/programanacionaldefortalecimentodosconselhosescolares
Prezado Carlos Henrique
Quero conhecê-lo pessoalmente, e poder trocar algumas informações contigo.
Seu interesse pela educação é muito bacana.
Guilherme Moraes dos Santos
Não posso, Guilherme. Alinhavo o trabalho de conclusão do meu curso de pedagogia, o que demanda uma série boa, muito boa mesmo, de atividades. Algumas tradicionais como, por exemplo, o estudo de um interessante material produzido lá pelo pessoal do Centro de Alfabetização, Leitura e Escrita – Ceale – da UFMG – (que se encontra, aliás, há um bom tempo na fila de espera) - e outras não. Sendo que, especialmente em relação a algumas dessas não tradicionais – projetos intermediários mesmo, poderíamos assim dizer, para o bom termo de meu trabalho - estou em atraso considerável. Tenciono assim, ainda como exemplo, apresentar um projeto de uma comunidade de aprendizagem ao Educarede que, pelo que intuo, depende de eu retomar o de acompanhamento das reuniões do conselho municipal de educação que abandonei em outubro do ano passado. Tudo isso em meio a estágio, a um curso de extensão sobre legislação escolar que iniciarei na semana que vem e coisas e tal. Uma loucura... De qualquer forma, você não gostaria de se inscrever nesse Curso de Atualização em Legislação Educacional? Quem sabe por lá poderíamos nos conhecer melhor. Esse curso é promovido pela Universidade Norte do Paraná em que me encontro matriculado no curso de pedagogia, na modalidade à distância. Está aberto esse curso à participação do público externo. As inscrições encerram-se na próxima 2ª feira ou 3ª feira. Segue logo abaixo a programação. A relação dos Pólos da Unopar Virtual pode ser acessada,Guilherme, no site www.unoparvirtual.com.br. Um abraço.
CURSO DE EXTENSÃO: ATUALIZAÇÃO EM LEGISLAÇÃO EDUCACIONAL II
Inscrições: 29/05 a 17/06 nos Pólos da Unopar Virtual
Público-alvo:
Alunos do Curso Normal Superior, Pedagogia, Letras e História da Unopar e de outras Instituições; professores, profissionais da Educação e de áreas afins.
Valor:
COMUNIDADE INTERNA - R$ 35,00
COMUNIDADE EXTERNA - R$ 75,00
Carga horária:
30 horas
Período do curso:
17/06, 19/06 e 20/06 das 19h20 às 22 horas
Programação e conteúdo:
Dia 17/06 – Profª Adriana Santos – Lei Nº 10.639/2003, que tornou obrigatório o ensino da história da África e da cultura afro-brasileira na educação básica.
Dia 19/06 – Profª Samira Kfouri – Lei Nº 11.494/2007, que regulamenta o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação.
Dia 20/06 – Profª Juliana Suzuki – Lei Nº 11.274/2006; Legislação e normatizações sobre a matrícula das crianças aos seis anos de idade no Ensino Fundamental.
O CURSO TERÁ VALIDADE COMO A.C.O. PARA OS ALUNOS DOS CURSOS DE: NORMAL SUPERIOR, PEDAGOGIA , HISTÓRIA E LETRAS DA UNOPAR.
Comissão Organizadora:
Sandra Rampazzo
Melina Klaus
Samira Kfouri
Telefone de contato:
(43) 3371-7430
Gostaria de lhe apresentar um trabalho que tive o prazer de executar na FEBEM de BAuru com os meninos internos e também com as meninas do CEVAP.
Acho que seria muito importante poder trocar estas vivências.
Super abraço.
Guilherme Moraes dos Santos
Não posso, Guilherme. No entanto, podemos trocas essas vivências por aqui mesmo. O que você acha? Envio-lhe, logo abaixo, um projeto que desenvolvi junto a escola em que estagio no momento aqui em Piracicaba, objetivo de um de meus trabalhos acadêmicos deste semestre. Desenvolvi-o e, depois de feito, apresentei-o à direção da escola (cujo nome omito, bem como da diretora administrativa e da coordenadora pedagógica que por lá trabalham, substituindo-os por nomes fictícios, ligados ao imaginário infantil: Escola Municipal dos Desenhos Animados para a escola de fato; Madeline, personagem principal de desenho animado que passa na TV Futura, e Penelope Charmosa, personagem não menos importante do inesquecível Corrida Maluca) para as profissionais que lá atuam). Apresentei-o na semana passada, por e-mail, à Madeline e Penelope Charmosa, com cópias para o economista Pedro Ramos e para o vereador Antonio O. Storel, ambos aqui de Piracicaba. Aguardemos para ver se considerarão eles esse meu projeto aproveitável ou não. Acredito que possa ele contribuir para que aquela escola seja de fato única, explorando ao máximo as suas possibilidades de intervenção no mundo a partir de um projeto político pedagógico igualmente único. Afinal, se não há no mundo dois indivíduos iguais, também não ha duas escolas iguais, ou não deveríamos imaginar isso possível, posto que toda escola atende uma comunidade diferente. Você não acha, Guilherme? A questão da autonomia das escolas é ainda um problema mal resolvido para significativa parte de nossas escolas. Amiúde, a grande maioria, parece optar por um modelo padrão e que não atende as reais necessidades de seu público alvo. Temos, felizmente, uma ou outra exceção, como a da escola que a jornalista Cirley Ribeiro, da Rádio Cultura AM/FM, teve recentemente a felicidade de mostrar, uma escola lá do Bairro do Butantã que se inspira na proposta da Escola da Ponte, de Portugal. Mas, grosso modo, nas escola que temos os pais e a garotada não são ouvidos, tampouco sua cultura e história valorizadas, muito menos suas necessidades atendidas.
Bom, mas vamos ao meu texto. Antes dele, reproduzo o e-mail de que lhe falei, em que também omito os nomes verdadeiros da escola e de suas profissionais.
Que tal você disponibilizar também o seu trabalho com a moçada lá de Bauru? O vereador Antonio O. Storel, aqui de Piracicaba, se porventura também estiver ligado no RadarCultura, também gostará muito de conhecê-lo. É um dos entusiastas para que aqui na cidade tenhamos um modelo inspirado no trabalho desenvolvido na cidade de São Carlos, conhecido como NAI, Núceo de Atendimento Inicial, que obtém muito bons resultados com a moçada e suas famílias. E que, infelizmente, é pouco (pelo que sei) imitado. Parece que em Americana tem algo semelhante, apenas. Uma pena...
Um abraço e bom final de semana.
UNIVERSIDADE NORTE DO PARANÁ
SISTEMA DE ENSINO PRESENCIAL CONECTADO
CURSO DE PEDAGOGIA
NOME DO ALUNO: CARLOS HENRIQUE TRETEL
ARTICULAÇÃO DOS EIXOS TEMÁTICOS – MÓDULO 5
Piracicaba - SP
2008
Trabalho apresentado ao Curso de Pedagogia da UNOPAR - Universidade Norte do Paraná, para a disciplina Articulação dos Eixos Temáticos.
1ª ETAPA: Leitura e resumo do volume 1 – introdução – dos PCN
Referência:
SECRETARIA DE EDUCAÇÃO FUNDAMENTAL DO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO
PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS: introdução aos Parâmetros Curriculares Nacionais (Volume 1)
3ª edição
Brasília
2001
Este volume justifica e fundamenta as opções feitas para a elaboração dos documentos de Área e Temas Transversais que compõem os PCN e que objetivam, como um todo, auxiliar o professor na reflexão e discussão de sua prática, esclarecendo, de início, que o ensino proposto pela LDB está em função do objetivo maior do ensino fundamental, que é o de propiciar a todos formação básica para a cidadania, tornando efetiva a educação democrática. Adverte, assim, que, apesar de apresentar uma estrutura curricular completa, os PCN são abertos e flexíveis, sendo apenas uma resposta para a necessidade de um referencial comum para a formação escolar no Brasil, exigindo, por sua natureza, adaptações (em uma realidade como a nossa, com características regionais tão diferenciadas) por meio do diálogo entre os documentos que compõem os PCN e as práticas escolares já existentes. Diálogo a partir do qual a escola pode ajustar sua maneira de ensinar e de selecionar os conteúdos de modo a auxiliar os alunos a desenvolverem suas capacidades, considerando as que eles já têm, potencializando-as.
Ensina que os PCN, na explicitação das mencionadas capacidades, apresentam inicialmente os Objetivos Gerais do ensino fundamental e que, a partir deles, são definidos os Objetivos Gerais de Área, os dos Temas Transversais, bem como o desdobramento que estes devem receber no primeiro e no segundo ciclos, como forma de conduzir às conquistas intermediárias necessárias ao alcance dos objetivos gerais, para o que se fazem necessárias tanto uma reflexão sobre a seleção de conteúdos, como também uma ressignificação deles, para além de fatos e conceitos, de maneira que passem a incluir procedimentos, valores, normas e atitudes.
Adverte, ainda, que sistemas de ensino e escolas podem encontrar na avaliação uma referência à análise de seus propósitos, que lhes permitam redimensionar investimentos, a fim de que os alunos aprendam cada vez mais e melhor e atinjam os objetivos propostos, para o que os PCN incluem – esclarece, por fim - orientações didáticas, subsídios à reflexão sobre como ensinar, enfocando fundamentalmente a intervenção do professor na criação de situações de aprendizagem coerentes com a concepção desta proposta, de que os alunos constroem significados a partir de múltiplas e complexas interações, com as áreas de conhecimentos e os aspectos da vida cidadã.
2ª a 4ª etapas: Leitura do volume dos PCN que aborda a questão da pluralidade cultura e construção de um projeto interdisciplinar.
TEMA:
QUAL O REAL PERFIL DE NOSSA COMUNIDADE ESCOLAR?
TÍTULO: ENSINAR A PLURALIDADE OU VIVER A PLURALIDADE?
LEMA (PERGUNTAS-CHAVES PARA A CONFECÇÃO DE CARTAZES):
QUEM SOU EU? O QUE QUERO E PRECISO?
QUEM É VOCÊ? O QUE QUER E PRECISA?
QUEM SOMOS NÓS? O QUE QUEREMOS E PRECISAMOS?
JUSTIFICATIVA: Estagio, atualmente, na Escola Municipal (de Ensino Fundamental) dos Desenhos Animados, localizada aqui em Piracicaba – SP. Foi essa escola inaugurada muito recentemente, no ano passado, não tendo, até o momento atual, projeto político-pedagógico próprio. Contou, para fins de norteamento de suas atividades iniciais, com uma proposta de trabalho para o ano de 2007 e fecha, no momento, uma outra para o presente ano, de 2008. É objetivo dessa escola, no entanto, construir o seu projeto político-pedagógico, como já tive oportunidade de ouvir de sua direção durante palestra proferida aos pais sobre a importância da parceria escola-família, realizada no dia 20 de maio passado. Essa palestra foi realizada no período da noite e contou com muito boa, surpreendente mesmo presença dos pais e responsáveis, sendo encontros como esse parte da estratégia da escola, muito interessante por sinal, para a construção de seu PPP.
Se, contudo, palestras como essa são, a meu ver, fundamentais para o bom termo da proposta de construção do projeto político-pedagógico daquela escola, são, ainda a meu ver, insuficientes. Pois são momentos (embora muito importantes momentos) em que os pais e responsáveis, fundamentalmente, ouvem. Igualmente necessários se fazem outros momentos, não tão comuns, infelizmente, nos planejamentos escolares, que permitam que os pais falem e que, logicamente, sejam ouvidos. Disposição para a qual, diga-se de passagem, a direção daquela escola se mostra sensível.
Tem esse projeto, então, o objetivo inicial de dar voz e vez a um segmento que amiúde é chamado mais a ouvir do que a falar na escola, o segmento dos pais, valendo-se para isso da boa vontade demonstrada pela direção daquela escola. Bem sabemos que, para que um projeto político-pedagógico atenda bem as necessidades e expectativas de uma determinada população, é fundamental tanto que a conheçamos como também que nos apresentemos, enquanto pessoas e profissionais, que nos demos a conhecer por inteiro, também com nossas necessidades e expectativas, de maneira que se criem laços de estima e, se possível, de amizade. Só assim imaginamos, com boas possibilidades de sucesso, que o coletivo aponte objetivos comuns, fechados a partir do consenso, para o atingimento dos quais todos se entreguem de fato, dividindo responsabilidades e somando esforços.
Da leitura da Proposta de Trabalho 2007 da escola, feita por ocasião da análise da realidade escolar, parte integrante das atividades de meu estágio deste semestre, não vislumbrei entre a filosofia e os princípios da escola em questão o perfil da comunidade. A Proposta de Trabalho 2008 encontra-se em fase de conclusão e não sei se ela fará esse detalhamento. Não é difícil, contudo, verificar que se trata de uma comunidade composta por cidadãos em situação de vulnerabilidade social, integrada por trabalhadores do mercado informal, autônomos e rurais. Ainda assim, é preciso, acredito, para que o processo de construção do projeto político-pedagógico se desenvolva a contento, que se detalhe melhor a proporção com que cada um desses segmentos contribui para a composição total daquela comunidade escolar.
Via de regra, as escolas que já possuem projeto político-pedagógico se valem de uma análise genérica (e muitas vezes superficial) do perfil de sua comunidade, muitas vezes classificada, resumidamente, como carente ou de baixa renda. Pretende este projeto que esse perfil seja melhor aquilatado, para melhor projeção dos objetivos e das iniciativas necessárias para a realização do projeto político-pedagógico que se venha a sonhar e a construir .
Senão, façamos um exercício de imaginação: se são 512 crianças matriculadas naquela escola, como na verdade são, podemos imaginar que o número de pais e responsáveis gravite em torno de 300 mais ou menos, levando-se em conta que alguns pais contam com mais de 1 filho matriculado. Uma coisa é verificarmos com exatidão, por exemplo, que, desses 300 pais e responsáveis, 200 são trabalhadores do mercado informal, 80 são autônomos e 20 são trabalhadores rurais. Outra coisa bem diferente seria verificarmos que 20 são do mercado informal, 80 são autônomos e 200 são trabalhadores rurais. Cada uma das realidades acima imaginadas ensejariam iniciativas, derivadas do mesmo PPP, mas diferentes substancialmente entre si.
Como saber então, enquanto pessoas e profissionais da educação, que tipo de projeto ou de iniciativas induzir, apoiar ou participar com aquela comunidade escolar? Só conhecendo-se as pessoas e a realidade que as cercam com profundidade, de maneira que o achismo fique de lado, será isso possível. Ainda mais nos dias em que vivemos atualmente, em que o modelo de desenvolvimento capitalista e neoliberal que fomentamos no Brasil dá aqui e ali mostra, cada vez mais clara, do motivo por que veio. Exemplifico. Na região de Piracicaba, os cortadores de cana-de-açúcar, mais conhecidos como bóias-frias, caminham para a extinção, conforme recente pesquisa realizada pelo economista piracicabano Pedro Ramos ( professor de Economia Agrícola e pesquisador do Núcleo de Economia da Universidade Estadual de Campinas) tornada pública pela Gazeta de Piracicaba em matéria de sua edição de 04 de maio passado. Dada a sua relevância, tomamos a liberdade de reproduzi-la na íntegra entre os referenciais utilizados para a elaboração deste projeto. No máximo até 2015, segundo Ramos, o trabalho em canaviais deve acabar. O estudo afirma que não há dados relativos ao número de trabalhadores que serão atingidos pela mudança especificamente em Piracicaba. Todos que moramos aqui sabemos, contudo, que não serão poucos.
Acreditamos que não pode ficar a escola pública, em geral, e a Escola Municipal dos Desenhos Animados, em particular, à espera de que alguém ou algum órgão ou, ainda, algum pesquisador (ainda que de incontestável valor, como o é Pedro Ramos) tome a iniciativa de pesquisar detidamente a realidade que nos é próxima. Os PCN, no tocante à pluralidade cultural, traz no volume em que é trabalhada a questão, à sua página 57, uma instigante pergunta endereçada a todos em geral: Ensinar a pluralidade ou viver a pluralidade? E a pergunta que se acrescenta a essa (e não quer calar) para a comunidade da Escola Municipal dos Desenhos Animados em particular é: Quantos dos pais dos nossos alunos serão atingidos por essa mudança que se aproxima? Quem são eles? Poderemos elaborar, enquanto comunidade educativa, saídas ou alternativas em conjunto para esse futuro sombrio que se aproxima ou seguiremos adiante no trágico estilo do ‘cada um por si e Deus por todos”?
Sendo um dos objetivos do ensino fundamental (como exaustivamente repetido em todos os volumes dos PCN) “questionar a realidade formulando-se problemas e tratando de resolvê-los, utilizando para isso o pensamento lógico, a criatividade, a intuição, a capacidade de análise crítica, selecionando procedimentos e verificando sua adequação”, podemos acrescentar ainda um outro importante questionamento a todas essas questões: Se os bóias-frias jão são discriminados estando no pleno exercício de suas funções (ainda que exercício precário e muitas vezes desumano, é bem verdade, mas sempre melhor do que nada) como serão então tratados na situação projetada por Pedro Ramos?
Destas questões deve se aproximar a comunidade escolar, notadamente no momento de elaboração de seu PPP, pois se em torno de todos essas precariedades gravitam as nossas crianças em torno dessas mesmas precariedades também devem gravitar os questionamentos que induzirão a tecitura desse mesmo PPP, de maneira que seja ele útil à comunidade que o elaborou e do qual espera ela, para muitos como derradeira esperança, resultados paupáveis, alívio ao menos para tanto sofrimento e dor. Não nos esqueçamos disso, se não por uma questão humanitária ao menos porque a esses questionamentos nos encaminham a LDB e os PCN, em direção ao aluno real e não ao aluno idealizado.
OBJETIVO: refletir acerca da projeção feita pelo economista Pedro Ramos sobre o futuro do trabalho em canaviais, como parte integrante do processo de elaboração do PPP da escola, contribuindo, especificamente, na definição do perfil real da comunidade atendida por aquela escola.
REFERÊNCIAIS TEÓRICOS (QUEM PODE AJUDAR? QUE AUTORES CONSULTAR?)
De início, consideramos fundamental que se convide o economista piracicabano Pedro Ramos para uma palestra acerca de sua pesquisa, sobre a qual a Gazeta de Piracicaba elaborou matéria veiculada por aquele jornal no dia 04 de maio passado. De acordo com o desenrolar do projeto, outras personalidades da comunidade piracicabana poderiam ser convidadas para igual iniciativa, como, por exemplo, o vereador Antonio Osvaldo Storel, de conhecida participação nas discussões acerca das condições de trabalho dos cortadores de cana, como se pode ver por dois artigos de sua autoria que tomamos a liberdade de também reproduzir abaixo, logo abaixo da matéria publicada na Gazeta de Piracicaba. Tanto um quanto outro, acreditamos, de bom grado aceitariam convite para proferir palestra para a comunidade escolar da Escola Municipal dos Desenhos Animados, como também, a partir de tais palestras, colaborariam com a indicação de outros palestrantes igualmente úteis às reflexões provocadas ou com outros encaminhamentos que o coletivo decida por bem tomar.
A questão central é dar início ao processo de reflexão. Enquanto processo histórico, o próprio andamento do projeto fará com que os participantes visualizem opções para continuidade ou para aprofundamento das discussões, bem como para a proposição de alternativas, tal como, por exemplo, a abertura de cursos de qualificação para os pais de alunos daquela comunidade no período da noite. Quem sabe poderia ser essa uma das alternativas encontradas pelo coletivo.
De qualquer sorte, só o processo em andamento poderá dizer qual o limite das possibilidades de intervenção deste projeto na realidade daquela comunidade específica.
A seguir, reproduzimos a matéria publica na Gazeta de Piracicaba, referencial teórico produzido localmente com grande poder de sensibilização, a nosso ver, para as primeiras iniciativas deste projeto.
Artigo 1 – Bóias-frias em extinção (de Luciana Carnevale, especial para a Gazeta de Piracicaba)
Estudo realizado pelo economista piracicabano Pedro Ramos, professor de Economia Agrícola e pesquisador do Núcleo de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), divulgado à Gazeta, com exclusividade, revela o fim do trabalho dos cortadores de cana-de-açúcar, mais conhecidos como bóias-frias, no máximo até 2015. O período pode até ser antecipado, observa Ramos, dependendo do avanço da mecanização nos campos. Não há números relativos a Piracicaba. A Região Centro-Oeste, entretanto, que abrange os Estados de São Paulo, Goiás, Minas Gerais, entre outras localidades, concentra pelo menos 200 mil trabalhadores. Para Piracicaba, migram aproximadamente 70%. Com a extinção desse tipo de mão-de-obra, também sai de cena a queimada da palha da cana, que provoca o temido carvãozinho, que tanto irrita as donas de casa, sem contar o surgimento de doenças respiratórias crônicas.
Compilado em várias páginas e denominado de "O Futuro da Ocupação da Agroindústria Canavieira do Brasil", o levantamento científico confirma o que muita gente já sabia, mas nem sempre admitia: o corte da cana queimada utiliza trabalhadores de forma intensiva e é extremamente desgastante. Em terras paulistas e especialmente na região, foram registrados casos de semi-escravidão envolvendo os trabalhadores dos canaviais. Alguns até morreram pela carga horária em excesso e falta de estrutura adequada de trabalho, como a presença de banheiros, por exemplo.
Os empregados 'campeões' chegam a cortar aproximadamente 16 toneladas de cana, por dia. Segundo Pedro Ramos, o fim dos bóias-frias é um fato e se dará, num caminho sem volta, por conta da mecanização que deve dominar, no futuro, inclusive, as áreas de maior aclividade (subida). O funcionamento das máquinas desalojará, conforme ressalta Ramos, cerca de 420 mil trabalhadores. E tudo isso começará, aos poucos, a partir deste ano, quando a safra deverá ser recorde. "O complexo canavieiro será um desempregador líqüido de mão-de-obra", observa.
O mais surpreendente é descobrir, a partir do estudo do economista, que a indústria de açúcar e álcool, em total desenvolvimento no País e no mundo, não terá condições de absorver os trabalhadores oriundos das lavouras. Isso se explica, conforme relata Pedro Ramos, por conta da fraca ou da quase ausência completa de escolaridade detectada entre esses trabalhadores.
INDÚSTRIA. A compensação, segundo a tese do pesquisador, deve ser a geração de empregos na indústria, à medida em que os cortadores deixarem o campo. De acordo com o estudo, cerca de 200 mil empregos serão abertos em companhias. A má notícia, para quem não tem estudo, diz respeito à exigência das firmas. "A qualificação, seja por meio de cursos técnicos ou na área acadêmica, será a palavra de ordem", frisa. Por não possuírem uma capacitação mais robusta, os bóias-frias não serão encampados pelo setor sucroalcooleiro.
Sem o corte manual, o trabalho em demasia e a queimada - Ramos destaca que o fogo nos canaviais está diretamente ligado à ação dos bóias-frias, uma vez que, sem a cana queimada, o rendimento do corte cai 70% - deixam de existir, ainda, os igualmente maléficos 'gatos' (empreiteiros que vão até os Estados e trazem as pessoas para o corte).
Na falta dos intermediários, Ramos conta que os Estados de origem dos cortadores terão de abrigar esses trabalhadores, que deixarão de se deslocar para Piracicaba e outros centros alcooleiros.
Neste ponto, o economista acredita que a união de forças entre os governos estadual e federal, que deveriam criar políticas públicas para absorver o trabalho, e a própria qualificação dos bóias-frias, funcionariam como boas saídas.
"Uma solução, por exemplo, seria a acomodação dos cortadores na produção de matérias-primas para o biodiesel, como a mamona e o pinhão-manso. O que decepciona é a lentidão governamental, mas há alternativas", alerta.
Piracicaba não ficará sem cana
Pólo de açúcar e álcool, Piracicaba teoricamente perderia o poder de força com a queda dos cortadores de cana. Otimista, Pedro Ramos não é adepto desta hipótese e vai além. "Os canaviais não deixarão de existir. O que virá como conseqüência, certamente, será o fim do comodismo em torno do setor, na cidade. Num outro viés, o município poderá se beneficiar desse processo, inevitável, justamente por ser um dos centros do etanol e do açúcar. Temos instituições de excelência, entidades, faculdades de ótimo nível e fábricas de destilarias", enfatiza.
"A paisagem rural de Piracicaba será diversificada, não ficando tão restrita à cana. A tão sonhada rotação de culturas poderia ocorrer. A criação de animais e a pecuária leiteira passariam a fazer parte do contexto", salienta. A mecanização é algo tão certo nos campos de cana que, segundo Ramos, as novas usinas já estão sendo erguidas em áreas onde os equipamentos circulam em 100% dos terrenos", argumenta. Avaliadas em no mínimo R$ 1 milhão, as colheitadeiras seriam adquiridas com menos dificuldades pelas grandes indústrias.
“Atualmente, a grande reclamação dos usineiros diz respeito às condições das glebas”. Há quem diga que as máquinas não chegam a áreas onde há mais de 12% de aclividade. “No entanto, existem projetos em curso”, exemplifica.
Para não onerar e fechar os pequenos produtores, algumas empresas, de acordo com o economista, já prospectam a fabricação de equipamentos de pequeno porte.
Artigo 2 - Porque morrem os trabalhadores da cana? (de Antonio O.Storel)
17/04/07
O vereador Antonio Oswaldo Storel em seu mandato, tem travado uma batalha incansável em defesa dos direitos humanos, principalmente na defesa dos trabalhadores do corte de cana em nossa região, sendo que em 11/04/2007, o Fórum da Cidadania, Justiça e Cultura de Paz, com a presença de representantes de várias entidades e ONG’s e do Sub Delegado do Ministério do Trabalho e Emprego, realizou uma importante reunião na Câmara de Vereadores para buscar alternativas e caminhos para denúncias de abusos de poder contra esses trabalhadores, ficando acordada a implantação de uma Central de Informação, a ser formatada e equipada para receber denúncias e manter a organização em rede.
É bom saber que:
• "Um trabalhador que corta hoje 12 toneladas de cana, em média, por dia de trabalho, realiza as seguintes atividades no dia: Caminha 8.800 metros; Despende 366.300 golpes de podão; Carrega 12 toneladas de cana em montes de 15 k em média cada um, portanto, ele faz 800 trajetos levando 15 Kg nos braços por uma distância de 1,5 a 3 metros; Faz aproximadamente 36.630 flexões de perna para golpear a cana; Perde, em média 8 litros de água por dia, por realizar toda esta atividade sob sol forte do interior de São Paulo, sob os efeitos da poeira, da fuligem expelida pela cana queimada, trajando uma indumentária que o protege da cana, mas aumenta a temperatura corporal. Com todo este detalhamento pormenorizado da atividade do corte de cana, fica fácil entendermos porque morrem os trabalhadores rurais cortadores de cana em São Paulo". (fonte :Francisco Alves - www.pastoraldomigrante.org.br)
• "As novas variedades de cana geneticamente modificadas têm maior concentração de sacarose mas menos peso. Isto obriga o cortador a cortar mais cana para obter o peso exigido e, portanto, a trabalhar com mais esforço". É o problema de quem percebe salário de produção por tonelada. (fonte: www.fundacentro.gov.br/ CTN/teses)
• "O Brasil pretende triplicar suas exportações de etanol nos próximos sete anos. Para isso, precisa de perto de US$ 13,4 bilhões para investimentos e aumentar sua produção, disse a investidores japoneses o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Luís Carlos Guedes Pinto. Segundo o ministro, o País quer mais do que dobrar sua produção de etanol para 35 bilhões de litros. As exportações poderão chegar a 10 bilhões de litros. De acordo com ele, o Brasil prevê construir 89 novas usinas produtoras de etanol durante os próximos sete anos. Neste período, a produção de cana-de-açúcar vai subir para 627 milhões de toneladas - são 427 milhões de toneladas atualmente" (fonte: www.investimentos.sp.gov.br/sis/lenoticia)
Diante das citações o Vereador Storel observa que as preocupações com o trabalhador no corte de cana é pertinente e tende a se agravar nos próximos anos devido a demanda por etanol e claro a ganância pelo aumento da produção e da produtividade, assim o trabalhador passa a se fadigar cada vez mais e a morte não é mera expectativa natural, passa a ser condicionante do esforço físico.
Outra questão que está sendo atropelada é a produção de grãos para atender o mercado mundial de etanol e biodiesel, não se está pesando na balança as conseqüências da ampliação do cultivo destinado a geração de energia em contrapartida da produção de alimentos. No horizonte desenhado só se vê os resultados econômicos almejados, sem se preocupar com a alimentação, logo a produção de grãos alimentares serão preteridos pelos lucros do etanol e do biodiesel e pode ocorrer de o país precisar importar alimentos, influindo na balança comercial do país negativamente.
Não se pode obter ganhos exorbitantes à custa da vida dos trabalhadores; há de se repensar a relação capital x trabalho, dando ao trabalhador o ganho suficiente para sustentar a sua família sem se extenuar ou ir as vias de fato da morte.
Antonio Oswaldo Storel. (vereador)
Membro da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania
Artigo 3 - O Projeto Rural não pode definhar (de Antonio O. Storel)
09/01/2007
Em meados de 1998 a situação das poucas escolas da zona rural do município era desalentadora. Corria solta entre as famílias rurícolas a cultura de que a escola do sítio não era boa para seus filhos e era preciso correr atras de ônibus escolar afim de mandar as crianças estudarem nas escolas da cidade.
Crianças permaneciam por horas a fio em ônibus apinhados, sem condições ideais de segurança para chegarem até as escolas dos distritos e da periferia urbana e após as aulas o mesmo sacrifício para retornarem.
Ai surge, por parte do governo do Estado, a proposta de se implantar no município um projeto que consistiria em fortalecer a escola rural, contratando através de uma ONG, profissionais da área agrícola e serviço social, para, em parceria com educadores passarem a atuar junto às famílias e os próprios alunos, estimulando as atividades relacionadas à agricultura.
A ONG escolhida pela Divisão Regional de Assistência e Desenvolvimento Social de Piracicaba, para os primeiros contatos foi a PASCA - Pastoral do Serviço da Caridade, órgão da Diocese de Piracicaba que após longas discussões com a SEMA - Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento e SEME - Secretaria Municipal de Educação, aceitou a parceria para receber as verbas estaduais e implantar o projeto.
Inicialmente, foram contratados um engenheiro agrônomo e uma assistente social que passaram a atuar nas escolas da Nova Suissa e Ibitiruna que na época, somavam menos de sessenta alunos.
O início do projeto não foi fácil pois necessitou de um entrosamento entre os profissionais e os educadores, envolvendo professores, diretores e funcionários. Porém, mais difícil foi conquistar a credibilidade das famílias, desconfiadas, inicialmente, que o trabalho dos técnicos era pura teoria e em nada ia ajudá-los em sua vida prática do cotidiano, tanto na roça como na família.
Aos poucos, educadores e técnicos conquistaram um compacto entrosamento em suas atuações em sala de aula, no campo e junto às famílias, o que acabou resultando em um grande avanço no processo de grangear a credibilidade necessária junto à população rural. E rapidamente foram surgindo resultados animadores no desenvolvimento educacional das crianças, eliminando-se a evasão escolar, graças ao entusiasmo que tomou conta de todos, bem como na melhoria das técnicas agrícolas aplicadas pelos familiares. Fortalecia-se a olhos vistos, o vínculo dos cidadãos rurículas com a terra e ao final de 1999 já eram mais de cento e vinte crianças nas duas escolas.
Numa avaliação feita no Gabinete do Prefeito Humberto de Campos em fins de 1999, o testemunho dos educadores e dos profissionais técnicos foram suficientes para que o Prefeito assumisse o compromisso de continuidade do projeto com verbas municipais, pois o Estado estava cancelando as subvenções.
A partir de então, o projeto avançou e novas escolas passaram a integrá-lo, contando, além das duas iniciais também com Godinhos, Campestre, Pau Queimado e Cruz Caiada, somando ao todo, seis escolas.
Para cada duas escolas havia uma equipe técnica composta pelo agrônomo e assistente social e em cada escola foi contratado um serviços gerais. Uma condução foi adquirida para facilitar o deslocamento dos técnicos.
Impressionante foi o aumento da participação da comunidade nas escolas e o avanço nas conquistas que essa participação representou.
O projeto desenvolvia-se com pleno sucesso na concretização de seus objetivos quando, em janeiro de 2005, o Prefeito que acabara de assumir ordena a redução da equipe para apenas um agrônomo e um assistente social.
Durante todo o ano de 2005, ficou constatada a impossibilidade de dar seqüência ao grande volume de trabalhos que vinha sendo responsável pela aglutinação da comunidade junto às escolas, com apenas dois técnicos.
No início de outubro de 2006, a PASCA reuniu em sua sede, todas as professoras, diretoras e funcionários para uma avaliação do projeto.
Nos pronunciamentos dos educadores, após a exposição dos técnicos, foi unânime o apelo ao Prefeito para que voltasse a autorizar a contratação dos técnicos conforme era em 2004, pois o projeto estava sendo incisivamente prejudicado pela dificuldade da presença dos mesmos em todas as escolas.
"Esse projeto hoje, é parte da vida das escolas rurais e não podemos deixá-lo definhar" foi a afirmação unânime de várias educadoras presentes.
A Secretaria Municipal da Educação se fez representar nessa reunião, pelas coordenadoras Elaine e Érica que ficaram responsáveis por transmitir à Secretária Giselda, o verdadeiro clamor daquela assembléia em favor do projeto. Só não entendemos porque ainda não foram adotadas as providências.
Antonio Oswaldo Storel
Vereador
Presidente da Com. Dir. Humanos e Cidadania
METODOLOGIA: Acreditamos que esse projeto insira-se no projeto de parceria escola-família já desenvolvido pela direção daquela escola que, como já dissemos, teve início no último dia 20 com a realização de palestra aos pais no período da noite. Como já dissemos também, acreditamos que tão importante quanto os momentos para que os pais escutem o que tem a escola a dizer são aqueles em que a escola escute o que tem os pais a dizer também. Parceria, afinal de contas, é isso.
Este projeto, então, só acrescenta um aspecto, a bem da verdade, a um projeto que já se encontra em andamento, aliás, diga-se de passagem, em muito bom andamento. Já dissemos alhures também que a participação dos pais neste encontro inicial foi muito bom. A próxima palestra agendada pela direção da escola está marcada para o próximo dia 10 de junho, às 19 horas, no pátio daquela escola, com a previsão de mais uma palestra em que a escola falará. A realizada no dia 04 último foi proferida por uma psicóloga. Quem proferirá a do próximo dia 10 não sabemos. De qualquer maneira, a partir da aceitação da questão de fundo sobre a qual debruça-se o presente projeto, de que são importantes momentos em que os pais ouçam e outros em que a escola ouça, poderão os profissionais daquela escola expor à comunidade escolar, que estará então reunida, a idéia de que se alternem momentos em que a escola fale com outros em que os pais falem. Seria momento oportuno também para que a escola esclarecesse os pais sobre a necessidade de se levantar o perfil real da comunidade que ela atende, esclarecendo os objetivos disso, podendo também, se achar oportuno nesse dia, distribuir questionários sócio-econômicos, por exemplo, juntamente com cópias da matéria da Gazeta de Piracicaba para fins de sensibilização inicial.
Seria momento muito oportuno, ainda, para que, se possível, se anunciasse a próxima palestra, preferencialmente com o professor e economista Pedro Ramos, posto que, dada a proximidade da próxima eleição para a Câmara de Vereadores, o agendamento de palestra com o vereador Antonio O. Storel talvez seja recomendável para depois do próximo mês de outubro. Tudo, no entanto, condicionado às decisões soberanas do coletivo escolar que reunir-se-á , oxalá, sempre, com boa regularidade e disposição.
CRONOGRAMA: Se as decisões do coletivo escolar devem ser soberanas, o cronograma, então, deve ser elaborado pelo coletivo escolar. A priori, não há como projetar quanto tempo será necessário para que se levante, detalhadamente, o perfil da comunidade escolar e muito menos para que se alinhavem intervenções. “Questionar a realidade, formulando-se problemas e tratando de resolvê-los, utilizando para isso o pensamento lógico, a criatividade, a intuição, a capacidade de análise crítica, selecionando procedimentos e verificando sua adequação” (PCN, 2001) não é objetivo fácil de ser atingido com as crianças. O que se dirá então com o coletivo escolar?
Será preciso, inquestionavelmente, muita paciência e persistência. Só o caminhar poderá nos dizer - e, ainda, assim, intuitivamente muitas vezes - alguma coisa acerca do tempo necessário para a consecução do objetivo deste projeto. Preferimos não realizar o exercício de adivinhação tampouco ‘atropelar’ o ritmo natural das coisas, dos acontecimentos. Quando as coisas se decidem coletivamente são assim: podem durar um mês, um ano, ou um único encontro... Quem sabe? Quem poderá dizer? Será mesmo necessário tentar adivinhar isso? Acreditamos que não.
Certo mesmo é que o horário das 19 horas, e em dia da semana comercial, foi muito bem aceito, ao que parece, pela comunidade escolar. Essa, por enquanto, é a única certeza.
RECURSOS: Os recursos de que se necessitará já estão disponíveis e sendo usados por aquela comunidade escolar. Telão, computador, data-show, som, máquina copiadora, reprojetor, enfim, não falta nada, nem a participação dos pais, animadora segundo o primeiro encontro do último dia 10. Palestrantes também os temos e em muito boa quantidade e qualidade, na cidade e fora dela, haja vista que a palestrante daquele encontro é originária da cidade de São Paulo. Não nos falta, enfim, nada: temos recursos humanos, materiais e disposição política de gestores, professores e pais daquela comunidade. Vale a pena ressaltar aqui (posto que, acredito, não tenhamos mencionado isso ainda) a participação positiva dos professores também naquele encontro do último dia 10. Não chegamos a checar se todos estavam presentes, mas arriscamo-nos a dizer que sim. Animadora, por tudo isso, a situação daquela escola. Confortável mesmo quanto a isso.
AVALIAÇÃO: A avaliação para um projeto como esse, como também não poderia deixar de ser, deverá ser feita pelo coletivo, à medida mesmo que se dêem os passos, os andamentos. Assim, depois de ter em mãos, por exemplo, os questionários sócio-econômicos, alternativas abriar-se-ão ao coletivo, possibilitando que todos redimensionem reflexões, projeções ou ações. O coletivo poderá avaliar, assim, ter sido desnecessária, por exemplo, a paletra com o economista e professor Pedro Ramos. Por que não? Por outro lado, pode a palestra do economista e professor dar ensejo à realização de uma mostra fotográfica da origem geográfica de cada uma das famílias participantes daquela comunidade escolar. Pode ser... Ou ainda a uma noite de serestas ou de uma boa viola. Ou ainda, e por fim, a palestras sobre a questão do primeiro emprego para o público jovem daquela comunidade. Pode ser também e, oxalá, assim o seja, uma vez que a criança de que falamos se encontra inserida nesse complexo quadro, de desemprego e sub-emprego de jovens e adultos, irmãos ou pais dessas mesmas crianças. Se queremos a felicidade dessas crianças, devemos ter em boa conta também a felicidade dos demais membros de suas famílias. Chega, afinal, de indiferença. Se queremos educar para uma convivência harmoniosa e solidária entre todos, devemos dar o exemplo, preocupando-nos uns com os outros. Primeiramente, sem sombra de dúvida, com as crianças, mas sem nos esquecermos daqueles que com elas vivem e dos quais depende, em muito boa medida, a felicidade dessas mesmas crianças. E a nossa.
Certo mesmo é que, com o tempo, todos poderão, através da análise dos questionários sócio-econômicos, dentre outras iniciativas, diálogos e reflexões, identificar e solicializar (aspecto de fundamental importância para o sucesso do processo de uma avaliação diagnóstica, processual e formativa) as razões desse ou daquele sucesso, dessa ou daquela incompletude. O coletivo se encarregará da realização do que faltar ser pensado e feito. Acreditamos nisso. Só não acreditamos ser possível ficar a escola indiferente às questões diretamente ligadas à sobrevivência das familias dessas crianças. É condição necessária para o desenvolvimento das crianças ter no ambiente escolar atenção, carinho e segurança. Mas isso não é suficiente. Iguais condições devem ter elas também em seus lares. Para o que espera esse projeto contribuir, provocando o imaginário e o espírito solidário das pessoas. Do contrário, pouco conseguirão os professores no dia-a-dia. Planejarão aulas super-interessantes, reservarão materiais super-atraentes, selecionarão textos e pinturas super-sugestivas, para crianças que, em decorrência da confusão geral em que vivem, não mostrarão, compreensivelmente, nenhum ou muito pouco interesse por tudo que se lhes propõem na escola.
A reportagem sobre a pesquisa do economista e professor Pedro Ramos para essas crianças e famílias só trouxe, até o momento, inquetação. Lares que já não se mostravam estáveis, a partir dessa notícia, muito possivelmente estarão mais instáveis ainda. Mas pode, acreditamos, essa mesma reportagem dar margem a uma outra situação, de investigação e de transformação da realidade, tanto da presente, que já não se mostra fácil, quanto da futura, que se afigura como mais difícil ainda.
Há duas leituras possíveis dessa mesma notícia: uma que resigna e uma outra que mobiliza as pessoas. Contamos que aquela comunidade, pelo pouco que dela pudemos conhecer, opte pela segunda alternativa. Para o bem de todos, em especial de suas crianças.
REFERÊNCIAS:
Bóias-frias em extinção. Matéria publicada na Gazeta de Piracicaba em 04.05.2008. Disponível em: http://www.gazetadepiracicaba.com.br. Acesso em 23.05.2008.
BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: introdução aos parâmetros curriculares nacionais (volume 1) e pluralidade cultural (volume 10). 3ª edição. Brasília: Mec, 2001.
O Projeto Rural não Pode Definhar. Artigo publicado no site do vereador Antonio O. Storel em 09.01.2007. Disponível em: http://www.camarapicacicaba.sp.gov.br/storel. Acesso em 23.05.2008.
Por que morrem os trabalhadores de cana? Artigo publicado no site do vereador Antonio O. Storel em 11.04.2007. Disponível em: http://www.camarapiracicaba.sp.gov.br/storel. Acesso em 23.05.2008.
RAMPAZZO, S.R.R.; VAGULA, E. Organização do Trabalho Docente nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental. In: Apostila do Curso de Pedagogia da Unopar. Londrina, PR, 2008.
Guilherme, ia me esquecendo de reproduzir o e-mail... Lá vai.
"Madeline e Penélope Charmosa, bom dia! Em decorrência de meu proveitoso estágio junto a vocês, escolhi como tema para um de meus trabalhos acadêmicos deste semestre a desafiadora questão da definição do perfil dessa comunidade escolar, o que só me foi possível a partir da observação da realidade que as cerca. Observação mediada, compreensivelmente, por breves diálogos entre nós, é bem verdade, mas sempre úteis e prazerosos, oportunidades pelas quais, de antemão, agradeço sinceramente.
No entanto, tendo em vista, se me permitem, que para vocês (como tivemos a oportunidade de conversar, também muito rapidamente) esta será uma questão, como parte de atividades necessárias à construção do PPP dessa escola, objeto de reflexão (nem sempre fácil, a meu ver) em futuro muito próximo, encaminho-lhes, a título de sugestão, cópia dele.
E como nele faço menção à personalidades de nossa cidade que, ainda a meu ver, muito poderiam contribuir para a proposta que imagino útil, tomei a liberdade de enviar cópia dele também para elas, até para facilitar, se assim for o desejo de todos, os contatos.
E, mais uma vez, parabéns pelo promissor início do projeto de aproximação escola-família que tão bem vocês colocam em prática. Um abraço, Carlos".