Paralamas e Titãs - “Juntos e ao vivo”
Acabei de ficar sabendo, e achei interessante compartilhar aqui pelo Radar:
Em 1982, quase ninguém imaginaria o rock ocupando um espaço tão grande no cenário cultural brasileiro. Mas hoje não se discute, é história: nos últimos 25 anos, o gênero conquistou relevância e importância ímpares no país. Parte substancial desse crescimento em popularidade e em qualidade pode ser creditada a Os Paralamas do Sucesso e Titãs.
Mas história não termina nunca, é um processo permanente. Cientes disto, Bi Ribeiro, Branco Mello, Charles Gavin, Herbert Vianna, João Barone, Paulo Miklos, Sérgio Britto e Tony Bellotto subirão ao palco juntos para uma turnê que tem tudo para marcar novas e velhas gerações.
Não estranhe a ordem alfabética na citação dos músicos, como se as duas bandas fossem uma só. Não se trata de um show dos Paralamas mais um show dos Titãs: os oito integrantes das duas bandas vão se misturar em diferentes configurações, tocando os sucessos de suas carreiras. Tocando e literalmente trocando: o roteiro inclui, entre muitas surpresas, “Flores” na interpretação de Herbert, "Meu Erro" na voz de Branco Mello, “Óculos” com Paulo Miklos e "Trac Trac" cantada por Sérgio Britto.
Paralamas e Titãs possuem belo histórico de encontros nos palcos: em 1992, em dobradinha, foram headliners do Hollywood Rock em São Paulo e no Rio de Janeiro. Na época, a idéia de Herbert Vianna era juntar forças para, em dupla, derrubar um paradigma vigente nos grandes festivais realizados no Brasil: artistas nacionais não eram escalados como atração de encerramento. O resultado foi antológico e inspirou, sete anos mais tarde, uma turnê em dupla.
Mas as tabelinhas têm origem em momentos informais e espontâneos. “As duas bandas sempre tiveram afinidade também extra-musical”, aponta Branco Mello, ao lembrar noitadas divertidas dos anos 80 com Bi Ribeiro e Cazuza. João Barone acrescenta: “A gente sempre bateu bola. Eu subia na bateria do Charles e tocava sem cerimônia. Ia lá e descia a botina. O Herbert já arrebentou muita corda de guitarra do Fromer”.
Os encontros de agora vão se valer desse entrosamento e da amizade, mas possuem uma diferença fundamental em relação aos shows em dobradinha de 1992 e 1999. “Agora é um mergulho de mais fôlego”, conta Branco, após boas horas de ensaio. “Hoje somos bandas mais criteriosas, mais experientes, menos ansiosas. Música é aprendizado, vontade de meter a cara. A gente antes chutava para todos os lados, agora tem energia mais concentrada. Estamos saboreando mais o encontro musical.” A frase que espanta qualquer fantasma de caretice, obviamente, tinha de partir do próprio Branco: “A maturidade dá um barato”.
João Barone define o projeto: “Somos tropas experientes, veteranos de guerra, velhos legionários que se juntam para mais uma excursão de pilhagem”, diverte-se. “Estamos afiando a navalha!” A história de Titãs e Paralamas continua – e sendo feita ao vivo.
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