Onde andará Dulce Veiga
Lançado nos cinemas Onde andará Dulce Veiga, o último trabalho de Guilherme de Almeida Prado, de A Hora Mágica. Ele que geralmente cria seus próprios argumentos, desta vez adapta este romance relativamente autobiográfico do jornalista Caio Fernando Abreu. O filme comenta sinteticamente o universo visual dos anos 80, com o máximo de requinte e espírito crítico. Ao lado do protagonista Eriberto Leão, por exemplo, visitamos uma redação que retém a essência dos jornais paulistanos, tal como funcionavam antes da informatização nas comunicações. Ele se acha obsessivamente em busca de uma atriz e cantora interpretada por Maitê Proença, que desaparecera muitos anos antes. Como ela, o resto do elenco está impecável, com destaque para Carolina Dieckmann e Julia Lemertz, além dos teatrais Imara Reis, Cacá Rosset e Francarlos Reis. Mas essa procura, na verdade, é somente um pretexto para Almeida Prado exercitar um olhar cinematográfico sobre aquele período. Mais ou menos, como a procura do Santo Graal servia apenas de motivação para as narrativas heróicas medievais. Entre observações humorísticas e vinhetas visuais espantosamente criativas, encontramos a marca dos grandes mestres, todos assimilados pelo cineasta com jovial apetite de cinéfilo. Fellini convive com Hitchcock, nas cenas de suspense. Glauber Rocha e Sganzerla se aproximam na deslumbrante seqüência inicial, que se dá ao luxo de combinar a computação gráfica com as velhas experiências de desenhar diretamente sobre a película. Onde andará Dulce Veiga: um filme de quem gosta para quem gosta de cinema.
LUCIANO RAMOS
- nenhum comentário



