Um sonho lento
Adormeço
Enroscada no seu abraço
no seu abraço
Sonho e deliro
quando entro num mar
Sem marés
num mar sem marés
Vejo traços
Traços soltos sem memória
sem memória acordo depressa
levanto-me viva
Caminho num passo
Que mal pisa e tenho medo
desejo mais uma história
sussurro seu nome
avanço
não tenho mais medo
Acordada
Dentro do seu colo
Sua letra
avanço ainda mais
Dentro do seu colo escuto sua voz
sua letra murmura-me
Sinais de homem
quase morro e depois não quero mais
pé ante pé ando
depois corro
Agora, quero o destino
De uma manhã mansa
Lá,
arranco cheiros,
sons, choros,
febres e vozes
da casa da minha infância
E na minha infância não tem praia
E eu mais uma vez
quero ir-me
nesta manhã mansa
Percebo o eco de meu pai
a saia da mãe e o balanço
Onde minha irmã canta
cirandas
Nesta manhã mansa quero mais
voltar para o colo da sua voz
busco abrigo
o silêncio
Com o sol que cai
No colo da sua voz
Meu homem,
sua letra na minha história
abre trilhas
Minha história,
somos nós as crianças
brincando na lâmina
sem corte.
Sua trama é meu enigma
sua esperança
desafia minha cisma
Meu homem, nada nos vê
nada vemos
Sozinho, você
pairava ileso no momento
Então, mais doce que a maçã
meu signo
roçou seu encanto
A meu lado seu verso
esperou
Por que paramos dentro de mim?
Meu homem,
não me explique o que sou
porque seremos
Diga, apenas
meu bem,
nesta manhã
nos temos
você mansa
eu puro nervo
nós dois sem a praia
Com o sol que cai
leva toda a lembrança
e convida a noite.
Recomeço?
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