O escafandro e a borboleta
O escafandro e a borboleta venceu o Globo de Ouro 2008 de melhor filme estrangeiro e melhor diretor. Este é o americano Julian Schnabel que filmou a vida do pintor Basquiat em 96 e a do escritor cubano Reinaldo Arenas em 2001 e que, antes de dirigir, era um artista plástico de vanguarda. O filme chega aos cinemas, para confirmar sua competência na direção. Por aqui já se dizia que o mérito era na verdade do roteirista Ronald Harwood, que escreveu dois filmes recentes de Roman Polanski, O Pianista e Oliver Twist. O texto é realmente de primeira, mas as performances verdadeiramente impressionantes são mesmo do diretor e dos intérpretes: Emmanuelle Seigner, Max von Sydow e principalmente Mathieu Amalric. É que o filme se fundamenta na vida real de Jean-Dominic Bauby que foi diretor da revista Elle em Paris e, após um derrame, ficou totalmente paralisado, só conseguindo mexer um olho. Num lance de ousadia, a primeira meia hora do filme se resume à uma visão subjetiva do personagem que, depois do acidente, acorda no hospital inteiramente lúcido, mas incapaz de mover qualquer músculo, a não ser a pálpebra de um dos olhos. Na segunda parte, ele aprende a se comunicar com as pessoas apenas piscando aquele olho e, só aí, são incluídas seqüências retrospectivas em O escafandro e a borboleta. O livro em que baseia o filme foi inteiramente ditado por meio da pálpebra, que ele apelidou de borboleta.
LUCIANO RAMOS
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