Hancock

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Nos cinemas Hancock, um curioso ensaio cinematográfico sobre a anatomia de um personagem heróico. Os protagonistas são Charlize Theron e Will Smith, desta vez trabalhando em sua chave cômica. O diretor se chama Peter Berg, um ator que funciona como executivo para projetos criados por produtores, como é o caso deste, concebido por Vince Gilligan um dos realizadores da série Arquivo X. A idéia é mostrar um super-herói clássico – na acepção plena desse termo por que, além de ser fortíssimo e invulnerável, é imortal. Só que nada tem a ver com os personagens dos quadrinhos porque não usa uniforme, não tem identidade secreta e nem um pingo de educação. Mora num barraco, se veste como mendigo e bebe vários litros de uísque por dia. Quando vai atacar algum bandido, causa mais estragos do que um furacão. Torna-se, portanto, um estorvo para a cidade onde vive e um problema ainda maior para a história em que aparece. Simplesmente porque carece de um elemento indispensável para qualquer herói que é o ponto fraco: como o calcanhar para Aquiles, ou a kriptonita para o Super-Homem. Pra complicar, ele perdeu a memória e não sabe de onde veio nem para onde vai. A graça e a esperteza de Hancock é justamente a trajetória deste quase personagem em busca de sua ação dramática. Ou seja, dos requisitos mínimos para despertar o nosso interesse e fazer dele um intermediário entre os deuses e os simples mortais.

                                                                                                     LUCIANO RAMOS

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