Na Estrada

3

Nem dormiu
mal sabe
nem acredita
Péssima!

sopros

Segue paralela ao som
fluxo forte sem pulso
o ar aos urros
Venta.

passos

a boca engole o frio
cospe o gelo do soluço
onde o escuro é mais escuro
Ilumina-se

carros

Tragada pela palavra, cai
Vontade de lágrima
letras em avalanche
Alaga-se.

Madrugada

escorre a tristeza
escreve o tédio
encharca a margem
Perde-se

Estrada

faróis em fuga
olhar em surto
noite insone
Amanhece

Ele surge

luz refratada em música
a vida espreguiça na curva
o corpo solta-se em prece
Enamora-se

Ela adormece

Fundação Padre Anchieta Creative Commons blaz