Baby Love
Às vezes um casal se separa quando um dos dois parceiros quer um filho e o outro não. É o que acontece com um médico e um advogado que, há vários anos, vivem juntos em Paris, num relacionamento estável, com a aprovação das suas famílias. Esse é o assunto de Baby Love, o primeiro filme do diretor de séries de TV Vincent Garenq. A idéia era para um documentário que, aliás, nenhum produtor se dispunha a filmar por causa do tema. Até que o projeto foi transformado em roteiro de ficção, a partir das notícias trazidas pelo avanço nas técnicas da chamada reprodução assistida, que permitem realizar a fertilização in vitro. Ou seja, um sistema em que a fecundação não depende mais do ato sexual. Um dos personagens, que é vivido com sutileza por Lambert Wilson, decide contratar uma mãe de aluguel para concretizar o seu sonho de ser pai. E no processo quase se apaixona por ela, chegando a ser considerado pelos amigos como um heterossexual prestes a sair do armário. A moça é uma estudante argentina que precisa do visto de permanência na França e, por isso, aceita se casar com ele por mera formalidade. Toda essa trama poderia dar origem a uma narrativa escabrosa, repleta de piadas de baixo nível. Mas o experiente diretor trabalhou numa linha de comédia romântica, carregada de interesse humano, especialmente pela atuação da espanhola Pilar López de Ayala no papel da mãe.
LUCIANO RAMOS
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