O Rito

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Lançado em DVD, O Rito, que Ingmar Bergman fez em 1969, em que se nota sobre o seu trabalho alguns efeitos – leves, mas, significativos, do novo cinema que se fazia na França e na Itália. Até então, o diretor sueco não tinha filmado com tanta franqueza e sensualidade, lembrando as ousadias de Fellini e Antonioni. Por de ter sido filmado para exibição na TV sueca, os diálogos e a nudez de Ingrid Thulin chegam a impressionar. Num país indefinido, três atores de uma troupe são interrogados por um magistrado, por terem realizado um espetáculo obsceno, ou no mínimo escandaloso e sensacionalista. A obra tem como atrativo a mais as atuações de Ingrid Thulin e Gunnar Björstrand, com uma curiosa participação do próprio Bergman no papel de um padre. Mas a âncora do drama é o ator que interpreta o juiz que interroga os artistas. Trata-se de Erik Hell, um finlandês falecido em 1973, depois de ter feito mais de 70 filmes na Suécia. É que seu personagem começa pressionando os demais de modo cruel, fazendo com que eles desvelem todos os seus segredos e vergonhas escondidas. Antes que o filme termine, porém, essa situação se inverte e uma revanche se concretiza. O Rito é, no fundo, uma discussão irônica sobre o teatro, o exibicionismo e a censura – não fosse Ingmar Bergman um dos cineastas que, ao longo da história do cinema, um dos que se manteve mais próximo do palco.
                                                                                                         LUCIANO RAMOS

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