CAOS CALMO
O cinema italiano vive o seu rissorgimento e, nesta semana, é possível avaliar uma amostra desse esforço que é Caos calmo, recentemente aplaudido em Berlin. O filme mostra uma das características mais evidentes dessa fase que é a busca de uma linguagem e de uma temática universais. Curiosamente, ainda que pareça um paradoxo, Caos Calmo é o título original, ou seja, uma expressão que faz sentido tanto em italiano quanto em português. Da mesma forma, o enredo nada tem a ver com os dramas sanguíneos e acalorados que marcaram o cinema da península e lembra o que tem sido filmado na França e na Alemanha.
Nani Moretti é um viúvo que, após a morte da esposa, vai levar a filha à escola e permanece esperando na praça em frente ao colégio até a saída das crianças. No dia seguinte faz a mesma coisa e, assim por diante durante várias semanas. Aos poucos, as pessoas relacionadas com ele se acostumam a vir até o local, que se transforma numa espécie de fórum em que se debatem todos os seus dramas íntimos, familiares e profissionais. Dessa forma somos informados dos fatos que antecedem essa decisão, numa narrativa que vai crescendo em suspense, tornando-se mais interessante a cada minuto. O diretor de Caos Calmo Antonello Grimaldi é pouco conhecido em cinema, mas um veterano em TV. Faz um excelente trabalho, enriquecido pelas presenças de Valeria Golino, Isabela Ferrari e Roman Polanski no elenco.
LUCIANO RAMOS
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