Quem acerta mais: ouvinte ou programador?

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Com a criação do RadarCultura e a programação da Cultura AM sendo feita progressivamente pelo ouvinte, lançamos também a discussão sobre a qualidade do que se ouve ultimamente no rádio. Algumas emissoras, preocupadas com o aspecto comercial, procuram agradar a audiência a qualquer custo e só tocam paradas de sucesso. Alguns programas, procurando de alguma forma difundir cultura, esmeram na sua seleção sem a preocupação de atingir uma audiência mais ampla.

Em um e outro caso, os ouvintes são elementos passivos no processo - e o compromisso, em muitos casos, tem sido a adoção de fórmulas de programação onde a seleção de material passa por pedidos de ouvintes, sempre a critério do programador ou do apresentador.

Aqui no RadarCultura, o sistema é novo - o ouvinte faz a programação.

Mesmo assim, há quem tema que o ouvinte, ao determinar a programação, nunca alcançará padrões de qualidade comparáveis a um programador experiente e de gosto apurado. Veja o comentário enviado por email pelo ouvinte Benedito Carneiro (ainda não cadastrado no RadarCultura, mas que nos autorizou a reproduzir seu ponto de vista):

Faz uns anos, a Inezita Barroso tinha um programa na Cultura AM que começava às 5 da manhã. No início, com o profundo conhecimento de música de raiz que tem, ela falava dos músicos, dos instrumentos, da região, dos ritmos, etc. Verdadeiras aulas de cultura brasileira. Um dia, alguem mandou uma carta pedindo uma música e oferecendo a outros.

"Outras cartas vieram, o programa foi ocupado por pedidos, oferecimentos e foi estragado pelos ouvintes; nunca mais se ouviu uma música diferente, só as porcarias pedidas. Até a Inezita o deixou. A Cultura AM é, provavelmente, a única rádio brasileira onde se pode ouvir músicas brasileiras esquecidas pelos programadores "moderninhos e antenados com a audiência". Com os ouvintes decidindo a programação, isso vai acabar. Assim como a Cultura FM acabou com os programas de músicas americanas, italianas e francesas, a Cultura AM acabará por terminar com o Musicalidade."

Você concorda? Qual sua opinião: o programador acerta mais? Pedido de ouvinte estraga a programação? Programação participativa pode ser um bom caminho?

Bom, pelo que tenho ouvido até agora no Radar Cultura, a preferência tem sido dada aos "mais dos mesmos" Chico, Gil, Caetano, Maria Monte, Raul e Cassia. No domingo, tinha duas músicas do Gil e duas da Marisa no play-list que estava prestes a ir ao ar. O Radar Cultura precisa ter um ponto de equilibrio. Como disse um camarada meu, tem horas que vira coisa de fã-clube. Imagino o que vai acontecer no momento em que liberarem músicas do Los Hermanos.

Esse debate é bom, Espero que tenha boa aceitação dos outros participantes

Médio: na lista das mais votadas, agora, tem Renato Teixeira, Cidade Negra, Roberta Sá, Paulinho Moska, Pau Brasil, Funk Como Le Gusta, Lobão, Moreira da Silva, Sá e Guarabira, Clara Nunes, e isso só entre as vinte primeiras. Bem variado, até eclético, não parece em nada com a lista de um programador "programado" ou "moderninho". O ouvinte programador deve estar se divertindo às pampas!

Salve, salve à todos !
Pensamos que a fusão da produção do programa com a opinião do ouvinte pode levar a um equilibrio, pois se depender somente dos pedidos dos ouvintes pode sim estragar a programação.
O que é considerado bom pode ser ruím para outros, e se o gosto da maioria for as consideradas ruíns ?
" É relativo, cada cabeça é uma sentença"

www.difusaoinc.com

Primeira questão: quem é o ouvinte do radarcultura.com.br? Será o mesmo da Cultura Am? Ou melhor: quem será esse ouvinte? Porque hoje, nesse primeiro momento, pode até ser que a grande maioria tenha vindo da rádio Cultura Am mesmo, mas está na internet e é de fácil acesso, então a tendência é que as mais variadas pessoas, que sabem do projeto através de diferentes fontes e indicações, cheguem para pedir suas músicas preferidas.
Eu tenho medo. Porque o que mais gosto quando ouço rádio é exatamente me surpreender com algum cantor ou compositor ou música até então desconhecidos por mim. Concordo com Rodney quando observa que os pedidos no geral tem tido essa cara de "mais do mesmo". E o problema não são só os interpretes mais populares, mas sim as músicas mais populares deles. Falo de modo geral, porque tem lá suas exceções, como agora enquanto escrevo, por exemplo, toca "Lumiar" do Beto Guedes. O que já é uma felicidade pra mim! Porque sai do muito óbvio.

Adorei essa discussão também, muito produtiva.

Tem outro detalhe que eu observo: parece que artista bom é artista morto. Digo isso porque invariavelmente as pessoas selecionam aqui músicas de Cássa Eller ou de Raul Seixas.

Eu sou um dos que compartilha o temor acerca dos males que podem ser provocados pela intervenção direta dos ouvintes na programação da rádio.

Eu gosto de ouvir rádio para, sim, ouvir o que eu já sei que gosto, mas, como já foi dito, também para descobrir coisas que eu ainda não sei que gosto, daí a importância da figura do programador para mim. Temo que a expansão do Radar para toda a programação pode ocasionar uma queda na qualidade.

Concordo que o público deve participar da programação da rádio, mas a sua capacidade de intervenção direta deve ser restrita. Por isso, não concordo com a expansão do Radar para todos os programas da rádio, mas que continue sendo um programa, que pode ser veiculado mais de uma vez por dia, mas não a ferramenta de programação da Cultura AM.

E eu faço uma pergunta final: qual bom programador, experiente vai querer trabalhar numa rádio onde ele não faz nada, só aperta o Play?

É verdade que em alguns momentos as mais votadas no RadarCultura indicaram figurinhas carimbadas, como chico-gil-elis-caetano. Minha impressão é que isso reflete a idéia imediata do ouvinte ao pensar que interprete/música escolher, na primeira. São os primeiros que aparecem na cabeça. Mas agora parece que o pessoal está indo mais a fundo no repertório -- na capa, agora, está lá a Badi Assad (que não toca toda hora em rádio alguma!), a Cibelle e Seu Jorge, a Paula Lima... na segunda página tem até Silvio Caldas!

Um dos meus votos, por exemplo, foi para a Rita Ribeiro, cantando Cocada (que está na segunda página, também, prontinha para ir ar logo, logo). Confesso que nunca lembraria dessa música, mas ao vê-la selecionada por outro usuário gostei, dei meu voto, e agora ela tem 16 positivos (veja aqui: os votos para Cocada.

Ou seja: um ouvinte acaba ajudando o outro a apurar a programação. O gosto coletivo, assim, pode assumir uma dimensão mais rica do que uma iniciativa individual.

Oi, Neves - pelo que acompanhei até agora no programa do RadarCultura a apresentadora - é a Teca - faz mais do que só apertar o botão de 'play'. Por um lado, ela fica o tempo todo acompanhando a movimentação das músicas mais votadas, que mudam enquanto ela está preparando a próxima que vai ao ar. Ela ainda apresenta os debates que estão andando no site. Recebe convidados no estúdio. E ainda sugere músicas para a programação, que entram no processo de seleção coletiva até chegar à programação.

Neves, não acho que o fato da audiencia participar tira a funçao do programador. Isso pode acontecer se ele quiser, mas existem muitas possibilidades. Ate agora, o programador foi um cara que entendia bastante de musica a ponto de supor com boa chance de acertar aquilo que sua audiencia quer ouvir. Agora ele nao precisa mais supor, pode conferir. O problema é que esse sistema tira o programador da posiçao de conforto e o convida a interagir com essa audiencia. Nao se trata de obedecer as ordens da maioria, mas de se misturar a ela, fazer propostas também, lançar debates - como este -, trazendo cada vez mais a audiencia para dentro, negociando com ela, aprendendo e ensinando. Naturalmente isso implica em mudar o jeito de fazer as coisas, inventar novas rotinas de trabalho, errar, se frustrar com os resultados. Mas acho que vale o exercicio.

Quem quiser conhecer outras experiencias de emissoras que funcionam colaborativamente, eu traduzi um artigo muito legal sobre o assunto. Aqui: http://www.naozero.com.br/radio+colaborativa+publica

Ricardo, hoje por exemplo, dia 08/01 - 15:00hs, a programação está exaustiva, chata, antiquada, cadê aquelas novidades próprias desse horário da AM? Aquelas combinações perfeitas entre novidades, regravações, relançamentos ao vivo, gosto daquelas surpresas inteligentes que são feitas entre artistas diferentes com coisas parecidas, sabe como?

Opa, Jackie - você pegou num ponto interessante nesta discussão: a programação interativa do RadarCultura ainda não está determinando o que vai ao ar nesse horário, o das 15 horas. Nesta fase de introdução, experimental, o RadarCultura vai ao ar das 20 às 22hs.

Como você compara o repertório que você ouviu às 15 horas - que representa a programação tradicional da Cultura AM - com o que está indo ao ar mais tarde, durante a programação selecionada pelo ouvinte?

Acompanhando esse debate creio que minha opinião está se consolidando mais quanto ao assunto. Só pra resumir: acho que não se mexe em time que está ganhando.

A programação inteira da Cultura AM é otima, a qualidade é indiscutível. Se eu pudesse mexer, não mexeria nada. De verdade.
Acho a idéia do radar cultura genial, como já disse em outro tópico. Até pra divulgar mais a música popular brasileira, torná-la mais acessível, expandir o horizonte dos gostos musicais da grande maioria das pessoas - que gostam de mpb mas que não conhecem muito além das músicas que já tocam nas outras rádios, ou os artistas mais populares.
Aí essas pessoas vêm aqui e o que é proposto por elas é a inclusão de músicas que podem ser ouvidas na Nova Brasil FM, por exemplo.

Então a pergunta é: o que se pretende com isso?

Perdão, mas acho que o processo é exatamente o contrário. Abrir o repertório musical das pessoas, não limitar a programação da rádio.

O debate está muito rico e eu parabenizo a todos pela suas ponderações e os diversos ângulos explorados.

Algumas considerações que eu alinho ao acaso, sem nenhuma pretensão de abarcar a totalidade das questões envolvidas:

É necessário luva de pelica para mexer na programação da Rádio Cultura AM que, sem dúvida alguma, é um bastião de resistência contra as forças impositivas do mercado, da indústria cultural, dos interesses econômicos diversos que atuam sobre a circulação dos bens culturais da música brasileira, levando à "regressão da audição", como citou um pensador.

Os programadores (não conheço nenhum deles pessoalmente e não tenho procuração de ninguém; sou um mero e mortal ouvinte) da Cultura AM, toda a equipe, enfim, merecem todo o nosso respeito pela qualidade que proporcionam e pela divulgação daquele que talvez seja um dos maiores patrimônios da nossa cultura: o cancioneiro popular. Ou seja, toda a excelência das equipes e o valioso conhecimento acumulado pelos departamentos da Cultura AM não podem ficar à mercê "das canções mais pedidas pelos ouvintes". Há que se buscar mecanismos mistos.

A incorporação da interatividade, proporcionada pelos novos meios de comunicação e pelas ferramentas da revolução microeletrônica, não é ruim, mas ela não pode levar a um "populismo" cultural.

Por enquanto, na forma como está o Radar Cultural, é inconcebível estender-se essa nova forma de programação para além das duas horas atuais. Fora de questão. São necessários muitos testes e reflexões ainda.

O Radar Cultural desalojou um espaço importante de programação de cancioneiro das décadas de 30, 40, 50 do século passado, as quais muitas vezes são designadas como "era de ouro" da nossa música. Se deixado ao sabor "das mais pedidas pelos ouvintes", é altamente improvável que tenhamos uma presença significativa de obras desse período, o que é uma ausência preocupante. Uma vez que o nosso cancioneiro é um patrimônio cultural nacional da maior importância, é papel de uma fundação pública ir na contracorrente das empresa privadas que trabalham na lógica da "obsolescência planejada", remetendo ao arquivo morto aquilo que não se enquadra no conceito de "novidade".

Não sei para onde foram as duas horas garantidas para o cancioneiro que não se ajusta à idéia de contemporaneidade (bossa nova e depois); muito embora aquele antigo espaço da grade, das vinte às vinte e duas horas, fosse de suma importância, a verdade é que o programa necessitava de revisão, pois se limitava à mera sucessão de canções de forma descontextualizada. O que não não se pode admitir é a mera eliminação de um espaço que desempenhava um papel importante.

Quero crer, por fim, que a direção da Cultura AM e da Fundação já têm um acúmulo de reflexão sobre a conciliação de alto padrão de qualidade cultural com índice de audiência. Só não vale, reitero, cair na tentação do populismo cultural. Há um caminho do meio entre a tutela e o império do ouvinte.

Eu também acho que a Teca está administrando bem o Radar, Ricardo, principalmente porque ela não simplesmente toca as músicas da capa, mas ela vai nas playlists ou nos podcasts. Mas eu continuo achando que estender para a programação inteira não seja uma idéia tão boa. Tomara que eu esteja errado, pois parece que essa posição de transformar a rádio em 100% colaborativa já está definida.

Quanto aos cases apresentados no texto indicado pelo Juliano, eu vi que não fala de rádios, mas programas de rádio colaborativos, pelo que entendi. Estamos falando de uma rádio inteiramente colaborativa, o que é diferente.

Eu estou gostando da experiência do RadarCultura, mas não posso dizer que acho maravilhoso estender a toda a programação.

E Cocada, da Rita Ribeiro, ficou para depois. Isso se ela não for atropelada pelos medalhôes..rs

Maravilhosa, a discussão Ricardo.
Porque mostra o quanto é preciso mostrar o repertório disponível para a gente escolher.
Lembrei de uma cena no lançamento do RadarCultura: eu vi o Tom Zé na "platéia" e propus votarmos numa música dele. Escolhemos uma e convocamos os amigos para votar. Este é um dos espíritos da colaboração - e da participação. E foi uma homenagem bacana pro Tom Zé.
Tatit, o repertório musical das pessoas se amplia exatamente no processo de votação, conforme elas navegam. E, na verdade, a grande graça é combinar juntos. Vale usar msn, blog, o que estiver à mão.
Rodney, enquanto vc não conseguir fazer campanha para a Cocada, não vai rolar...
eu mesma não conheço a música e votei nela só para conhecer.

http://www.ladybugbrazil.com

Caro Disparado, é interessante voce falar em populismo cultural em um meio que justamente está proporcionando esta discussão. Em quais outras oportunidades você já participou de um debate sobre a Cultura AM ou sobre qualquer outra emissora?

Entendo o medo das decisões inconsequentes da "massa" que cede a estímulos da industria cultural. Mas isso é o que não estamos fazendo no Radar justamente porque você e todos os outros participantes compartilham conosco agora a responsabilidade de escolher a programação musical, e não apenas isso. A audiência propoe e opina sobre as pautas jornalísticas, propõe programas e inclusive participa mandando programas em audio pela seção Podcast.

A rádio vai se tornar mais popularesca na medida em que a audiência apresentar essa característica. Mas o engajamento, esperamos, será muito mais forte junto a ouvintes como voces, que percebem a emissora como um oasis, talvez o único, para se ouvir uma programação de boa qualidade, surpreendente, que não sirva apenas para passar o tempo, mas que a gente, escutando, aprenda coisas novas e eguce a percepção...

É essa participação que - esperamos - irá ajudar a manter a rádio no ar e encontrar soluções para o fato dela ter um orçamento significativo para um resultado de audiência baixo. E a pouca audiência não é consequencia da sofisticação da programação. Os motivos são técnicos: o sinal transmitido na zona sul de sp não atravessa o espigão da Paulista e a AM tem chiado demais para uma programação musical.

O Radar é uma tentativa de expandir essa audiência, incorporando ouvintes mais jovens pela internet, e também oferecendo um canal de participação para os ouvintes assíduos defenderem a emissora junto com a equipe.

Sobre a programação se tornar 24h colaborativa, isso dependerá de uma decisão da equipe de incorporar o Radar como meio de desenvolvimento da programação. Concordo que não faz sentido tirar os programas do ar e colocar apenas as musicas mais pedidas. Mas os programas temáticos que hoje vão direto ao ar poderão ser produzidos dentro do site, justamente para permitir conversas como esta aconteçam entre as pessoas que conhecem e escutam o cancioneiro popular.

Bom, acho que está na hora de um produtor/programador, lançar uma nova questão...e também esclarecer alguns pontos...

o que o ouvinte espera ouvir numa emissora como a Cultura, além da seleção de outros ouvintes e seus próprios nomes indo ar durante a programação?
No site www.radiocultura.am.br tem um perfil dos programas da Rádio para aqueles que não conhecem a programação. Acho que é um bom ponto de partida para opinarem sobre o que gostam ou não de ouvir aqui.

temos aqui na Rádio: produtores, diretores de programa, assistentes, técnicos, locutores, apresentadores, além de toda a direção. Cito esta estrutura pois me parece que muitos acreditam que o apresentador é quem deve cuidar de tudo sozinho, o que seria bem dificil para uma emissora com tantos programas com conteúdo diferenciado da maoiria das comerciais, como temos na Cultura, além da extensa programação musical.
Esclareço também que nosso trabalho é gostoso e árduo ao mesmo tempo. É uma delícia trabalhar com música e artistas, mas para que seja um trabalho sério, ele requer muita: pesquisa, contatos, bom ouvido, enfim, atribuições do nosso setor.
A nossa programação, ao contrário de muitas emissoras, sempre foi confeccionada por programadores (humanos) que levam em conta o tamanho do repertório de cada intérprete, o horário que a seleção vai ao ar, o encadeamento das músicas (seja por andamento, ritmo, arranjo, tema, etc), o equilíbrio entre novos e antigos e assim por diante. Não chamaria de confortável o papel do programador, considero mais confortável apenas dar "play" num playlist pronto.
Gosto muito da idéia dos ouvintes opinarem sobre o que já existe na programação a ponto de extinguir um programa ou de enaltecê-lo a ponto de criarmos outros nos mesmos moldes. Gosto muito da idéia de criarmos programas em conjunto com os ouvintes, sei lá, quem sabe algo interativo ou mesmo tocarmos em frente uma boa sugestão. Assim, por que "ouvinte ou programador", quando seria mais enriquecedor "ouvinte e programador"?

A Lufreitas contou uma passagem interessante da estréia do Radar Cultura, envolvendo a escolha de uma música do Tom Zé, em que ocorreu uma mobilização para que a mesma entrasse direto no play-list. Ela fala em "fazer campanha". Certo, a idéia é interessante, mas temo que ela possa trazer uma grande distorção no projeto do Radar Cultura. Pode ser que a programação musical vire uma "batalha de fãs-clubes". Aquele que tiver um poder maior de mobilização poderá ter o monopólio das músicas que vão ao ar. Experimentem lançar as canções de Los Hermanos e aí vocês terão um belo exemplo disso.

Como falei ao vivo no Radar, essa discussão é ótima e toda essa repercussão é melhor ainda. De minha parte, posso dizer que entendo bem a preocupação de alguns ouvintes sobre deixar toda a seleção a critério dos internautas-ouvintes, mas também acho que essa participação é importantíssima pra que façamos uma rádio cada vez melhor e mais antenada com o gosto da audiência atual. As possibilidades aqui são imensas e estamos descobrindo juntos a melhor maneira de utilizar essa participação, tanto nós da rádio, quanto os internautas.
Sobre as mais pedidas: apresentando todos os dias, noto que os pedidos daqueles artistas mais conhecidos e sucessos consagrados se alternam com dias em que a seleção fica supervariada, com nomes mais novos ou muito antigos e temas instrumentais; esse termômetro é ótimo e temos tido até boas surpresas.
Entendo bem as pessoas que escrevem pedindo uma lista mais ampla de músicas e intérpretes para a escolha, mas venho reiterar que isto está sendo providenciado pela produção.
Enfim, estou gostando muito deste novo jeito de apresentar a rádio, agora com a colaboração direta e, muitas vezes, em tempo real, da minha audiência.
Ah...Neves...são tantos os botões além do "play", você nem imagina...
BEIJO !

Tem razão Teca, nós da produção, a Glaucia, a Dri Braga, a Bianca, o João, alguns estagiários e eu, temos sugerido músicas menos conhecidas para estimular nossos ouvintes internautas. Assim tem rolado uma variedade maior. Ah, internautas/ouvintes, não pensem que não estamos levando em conta todos os seus pedidos. O que vocês sugeriram até agora, e que está em nosso acervo, já foi copiado para o play list da Rádio, e já pode ser tocado. Inclusive aumentamos, desde a criação do site RadarCultura, o nosso repertório. Foram acrescentadas mais de 500 músicas. É só aguardarem a atualização do site e elas estarão ao seu dispor. Mas sabemos que não vamos agradar a todos. Por isso, enviem suas sugestões sempre!

Escutar a seleção dos ouvintes é bacana, mas também é muito bom ouvir o que um amante e especialista da música propõe aos nosso ouvidos...

Alguns de vocês que estão envolvidos nessa conversa fizeram observações sobre a ampliação das duas horas diárias do Radar. De fato, é o que estamos planejando fazer ainda este mês. Mas, seremos cuidadosos para que a programção não perca a diversidade que sempre foi a preocupação do nossos programadores. Não podemos fazer da rádio uma platitude sonora, ainda mais levando-se em consideração a riqueza da música brasileira.
Como o assunto está bem cotado entre os usuário do Radar, gostaria de ouvir as sugestões de vocês a respeito dessa ampliação para outros horários, além das duas horas habituais.

Gioconda, você citou uma coisa importante, realmente é perigoso ampliar a programação dos internautas com tanta qualidade de programação que a Cultura AM apresenta, eu particularmente, acho o máximo ouvir todo o tipo de novidade lançada na programação diária, da tarde, que é a que eu mais ouço, de tudo o que tem de mais moderno e de qualidade, Cibelle, Mariana Aydar, Roberta Sá, Zeca Baleiro, Otto, Arnaldo Antunes, entre outros, sei também que todas essas novidades vem dos programas de entrevista do Vilmar Bittencourt, Toda Música, com sua altíssima qualidade e bom gosto, sem citar a originalidade dos programas. Creio que a idéia é interessante, termos um espaço para "programar", mas ainda prefiro ouvir e conhecer o que vocês tem para nos mostrar, de novo, de lançamentos, de moderno, de tudo o que chega de artistas que fizeram seus nomes fora do Brasil e que vem para cá e vão até a Rádio para dar uma entrevista e se tornar mais conhecidos, já que as outras rádios nem sabem da existência dessas maravilhosas pessoas que mostram a cara no exterior e voltam para nos mostrar o que conseguiram fazer com a nossa música e nosso talento artístico. Não dá para comparar as rádios nacionais com a Cultura AM, é outro País, outra cultura realmente, outro público, outros produtores, diretores e programadores, os melhores que temos por aqui. Eu concordo com você, mantenha a programação do Radar como um programa apenas e não a alma da Rádio. Parabéns a vocês. Mas, em compensação a Cultura FM, tirando a programação de jazz, diária, também do Vilmar Bittencourt, música erudita, clássica, arcaica, sei lá, não dá né? Vcs já pensaram em trocar? Passar a programação da Rádio Am para a FM e vice e versa? Pensem nisso, por favor......

Oi Lia, voces estão de parabéns.
Muito bom mesmo este tipo de divulgação. acabei de me cadastrar e ouvi pela primeira vez uma publicação aqui no Radar de um amigo de outro amigo. Fiz uma gentileza, digamos assim, mas fiquei surpreso com a qualidade e poesia do que eu ouvi. Está em PODCAST, pois me disseram que eu não devia procura em PEDIR MUSICAS.
Nome: BILL BRASIL - qualifico como MUSICA PARA OS OUVIDOS OUVIREM.
Que trabalho maravilhoso... parece uma pintura mesmo a TELA DE MONET... a gente viaja na música.
Vale a pena.
E contradizendo alguns internautas que colocaram seu depoimentos aqui. Não é só os morreram que fizeram boa música não.
E não só os clássicos que são bons.
Os desconhecidos fazem muito melhor.
Afinal os conhecidos e famosos tb foram desconhecidos um dia. Devemos dar créditos a eles.
Verifiquem se estou ou não falando a verdade.

Bia

Sinceramente, NÃO VEJO DIFERENÇA ENTRE OUVINTE E PROGRAMADOR, EXCETO por um ponto: o programador é uma espécie de ouvinte profissional, dedicado inteiramente a pensar na programação. Por isso, acho que as duas atividades se completam. Mas o programador possui o conhecimento e a expertise para programar. O ouvinte, para ouvir e opinar. Que tal, em vez de separar, reunir?

Compartilho as mesmas preocupações que a Tati expressou lá no dia 8/01, as suas questões são relevantes.
Eu tenho a compreensão de que o trabalho do programador passa por dar uma amarrada nos blocos sonoros da programação. Os bons programadores estabelecem um fio condutor entre as canções e de bloco a bloco garantem a diversidade e a surpresa. Portando um programador é uma figura fundamental. Se assim não for, bastaria colocar um play list tocando aleatóriamente uma base de dados infinitos.
Mas aí vem o "democratismo" e diz-se que ouvinte deve interagir... eles não estão satisfeitos com seus MP4 e suas listas particulares... rsrsrs Bem, se nós ouvintes ampliarmos nossos critérios de voto e não ficarmos nas músicas ou interpretes preferidos, poderemos resguardar a qualidade histórica da programação da rádio. Duvido muito dessa capacidade, mas não há nada que não se possa experimentar e depois, se não der certo, voltar atrás.

PS.: Eu também aprendia muito com a Inezita.

O Programador consegue eqüilibrar o repertório que o ouvinte anseia!

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