Como podemos melhorar o ensino nas escolas públicas?

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As escolas públicas em geral passam de ano os alunos sem que eles saibam todo o conteúdo. Ou seja, o aluno passa de ano sem saber o que aprendeu.

O que fazer para que isso seja mudado?

Creio que o primeiro passo seria um ensino integral: o aluno entraria às 8h e apenas sairia às 18h30. Além das disciplinas regulares, oferecidas pela manhã, o aluno cursaria idiomas, artes, esportes e teria atividades complementares à tarde.
Também deveria haver uma maior participação dos pais na educação dos filhos, algo que não cabe somente à escola. Compreendo que há pais que têm baixo nível cultural e até mesmo são analfabetos, mas a escola também deveria dar orientação a eles, para que se interessassem pela vida escolar dos filhos.
O detalhe é que isso não ocorre somente em escolas públicas: em escolas particulares, vemos muitos alunos passarem sem saber ler também, mas ninguém aborda este assunto. Neste último caso, vemos, muitas e muitas vezes, pais que somente vão à última reunião do ano, quando seus filhos já serão reprovados, para implorarem ao professor para que sejam aprovados - mesmo que não saibam nada.
E o pior: nas particulares, já houve muitos casos de professores demitidos por reprovarem alunos.
Creio que está nahora da população cobrar mais o ensino em geral - o público e o privado. Além do mais, educação é um direito de todos e não deveria ser paga jamais.

Carmem Carolina Rodrigues de Toledo

Obrigada Carmem pelo seu comentário...
gostei muito.

Tudo isso que a Carmem falou, mais a redução de crianças por turma nas escolas públicas, Construção de novas unidades - principalmente na educação infantil, aumento de salário para os profissionais em educação e concursos públicos.

Ao contrário do que se deve fazer os governos (municipal e estadual) não têm dado aumento de salário (apenas gratificações que distorcem os salários e não são incorporados à aposentadoria), têm aumentado o número de alunos por turma, têm privatizado o atendimento na educação infantil (o que abre uma brecha para desvios de verbas).

Como conseqüência, os professores estão economicamente forçados a trabalhar numa jornada de 60 horas por semana, em duas ou mais escolas. Isso acarreta adoecimento e faltas, prejudicando os estudantes diretamente.

Enfim, com essas questões abordadas, combateria-se a falta de professores e adoecimentos e elevaria-se a qualidade do atendimento na educação. Mas seriam necessários investimentos que esvaziariam os lucros dos grandes bancos e empresas que se beneficiam do clientelismo que destroem os serviços públicos.

O professor não é valorizado no Brasil.
Minha mãe me conta que, em sua época, quem era professor era respeitado; havia um imenso orgulho em ser professor. Hoje em dia, não é o que ocorre. Além dele ser desrespeitado pelo governo e pelas escolas, os alunos não são ensinados a reverenciá-los. Não sou professora, mas cresci assistindo a muitos e muitos colegas desrespeitando de maneira constrangedora os professores. O pior é que os pais vão à escola e defendem os filhos... e o professor é mandado embora, no caso das escolas particulares. Lembro-me que uma vez, um menino que estudava comigo humilhou e xingou um professor com palavras bem pesadas. O professor foi à diretor foi à diretoria reclamar e foi demitido. O aluno, no entanto, se formou na 8ª série, junto comigo... Fora as vezes em que minha mãe chegou de várias reuniões contando sobre os argumentos dos pais dos alunos que não tinham educação... Não se sabia quem era mais ignorante e grosseiro: o aluno ou a mãe.
Sem professor, não há ensino, e sem ensino, não se pode construir um país.
E é por isso que o Brasil está desta maneira...

Carmem Carolina Rodrigues de Toledo

Acredito na pedagogia social, aquela que além do ensino das matérias currículares as crianças e adolescentes tenham ensino de filosofia, política, artes, e por maior tempo na escola que deve ser um lugar agradável para o convívio dos pais e familiares das crianças. A escola precisa ser repensada e não apenas por professores e alunos mas por todos que vivem no entorno da escola, lá é um lugar para práticas de esportes e lazer, local para realização de shows culturais, local onde os vizinhos comemoram aniversário e realizam reuniões, um local onde possa haver as manifestações que a comunidade achar pertinente para melhoria das condições de vida de todos, um local onde todos podem tirar dúvidas, documentos e mandar cartas, ou seja, a escola terá que agregar valor e serviços que hoje estão espalhados por diversos pontos da cidade e todos estão afastando a comunidade da escola...

Não por ser fanático pela História (não a oficial, por favor!), e pai de uma historiadora, acredito que devem ser buscados no passado recente as causas primárias do descalabro a que chegou o ensino no Brasil. São muitos os que dividem a culpa por isso, inclusive os que dizem hoje ter sido apenas vítimas.
O Brasil teve, como sabem, uma das melhores redes de educação pública do mundo, comparável, segundo diziam-me, à "public school" inglesa, que era então a melhor. A escola particular era péssima (chamadas de pagou-passou), ressalvando-se umas poucas, em sua maioria ligadas a organizações religiosas.
Com o do Golpe de 1964, de triste memória, essa alta qualidade passou a ser malvista. O governo dos brucutus sabia que a um povo educado é mais difícil manipular. E acabaram com o ensino de qualidade, ajudados pela burrice, pela covardia, pelo desinteresse e até por cumplicidade de segmentos da sociedade.
Os dirigentes escolares e mestres mais atuantes e politizados e dotados de coragem moral foram demitidos, se possível, aposentados e até exilados. Sobraram os que aderiram ou calaram-se sobre o que ocorria. A classe média, que tinha ainda um certo poder de pressão sobre o governo preferiu calar-se. Muito provavelmente por receio da perda das benesses que recebia. Preferiu transferir os filhos para as escolas particulares de maior qualidade e incentivar a abertura de novas.
Os dirigentes e professores das redes públicas aceitaram, em sua maioria, o desmonte do ensino, e sem protestos.
No ensino univrsitário esse quadro de coisa foi ainda pior. Não havia, é claro, vagas para todos nas universidades públicas. Aliás jamais houve, nem há. Por isso pressionado pela UNE, e com sua feliz conivência, o Ministério da Educação liberalizou as autorizações de funcionamento de inúmeras faculdades. Em grande parte para políticos e seus apaniguados. Qualidade? Não, ninguém estava nem aí com ela.
O governo queria com isso que diminuísse a aporrinhação por parte da UNE, que por sua vez queria dizer que resolvera o problema da falta de vagas, os donos das escolas queriam faturar e os alunos queriam o diploma. E a sociedade queria o que? A classe média queria que seus filhos conseguissem um diploma qualquer que lhes permitisse arrumar, com apadrinhamento, emprego público numa estatal ou no próprio governo. O povo queria que a inflação diminuísse e o resultado do futebol fosse favorável ao seu clube.

Sei que a pergunta é como melhorar o ensino, claro. Quis situar as causas do problema para tornar mais fácil entender o que se faz necessário para resolvê-lo. E precisamos quase de um milagre. A situação criada pelo desmonte do ensino levou-nos a um impasse.
Exatamente: precisamos de professores de primeira qualidade para cada nível de ensino, isso é o óbvio. Mas conseguí-los onde se não temos como formá-los? Os novos professores estão mais para "deformados" que para formados, é triste dizer tal coisa e ainda pior é o ser verdade.
Pouca esperança tenho em sairmos dessa sinuca. O ensino é, necessariamente, feito por mestres que transferem conhecimento a alunos, alguns dos quais serão por sua vez mestres da geração seguinte. E já são poucos os mestres em atividade e ainda menor é o número daqueles alunos qualificados para tornarem-se os próximos mestres.
A situação já seria dramática sem os que exercem o magistério sem vocação e sem talento, por faltar trabalho na profissão que objetivavam ao graduar-se. Ou, pior, os que por formação deficiente não atendem as exigências do mercado.
Não sei como se possa fazer esse gigantesco "conserto" cultural. A situação do ensino reúne, amplia e piora, todas elas, as nossas deficiências como nação e como Estado, e simultâneamente. Mas teremos que descobrir um processo ainda que lento, mas que não seja mais uma das operações de maquiagem de que está repleta toda a nossa história.

Caetano Silva

Caetano:
Você resumiu a História do Brasil dentro da História do Ensino Brasileiro (e elas estão intimamente relacionadas). De fato, para compreendermos a decadência da Educação, basta olharmos para nossa História.

Sebastião:
Concordo plenamente que uma aproximação entre os alunos, a comunidade e a escola seja um grande passo para a melhoria na educação. Também acredito que devam ser acrescentadas outras disciplinas à grade, principalmente Filosofia. Sou suspeita para falar, pois sou estudante de Filosofia. Mas não defendo esta inclusão por causa de meus interesses, mas porque a Filosofia ensina a pensar; ela é a base para todas as outras disciplinas, para todas as outras ciências (inclusive, todas elas nasceram a partir da Filosofia). A Filosofia também ensina a ler, a entrar no texto de corpo e alma, a compreender realmente o que se lê. Por isso, ela é tão importante.
Também defendo a volta do Latim para a grade curricular e a inclusão da Língua Espanhola. Outra coisa importantíssima seria o ensino obrigatório de Libras (Língua Brasileira de Sinais), pois temos muitos cidadãos deficientes que, muitas vezes, são impedidos de levar os estudos adiante por falta de adaptação.

Carmem Carolina Rodrigues de Toledo

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