O "Carnaval de Raiz" tem futuro ?
No Carnaval, o Jornal da Cultura dá prioridade à cobertura das manifestações populares que resistiram às mudanças e ficaram de fora do sambódromo. Tradições como o Bloco dos Bichos, de Tatuí; as marchinhas e bonecos de São Luiz do Paraitinga: o samba-lenço de Mauá; os fantasmas de Santana do Parnaiba; o Bloco Esfarrapado, do Bixiga, na Capital, e o samba-bumbo de Pirapora do Bom Jesus - este, aliás, apontado pelos estudiosos, como a fonte inspiradora dos antigos cordões paulistanos, que mais tarde deram origem às atuais escolas de samba de São Paulo. Nesses grupos, qualquer um pode entrar, sem nada gastar, basta apenas se divertir e não impor-tunar ninguém. Você acha que o "Carnaval de Raiz" sobrevevirá ? Opine.
O Jornal da Cultura vai ao ar, de segunda a sábado, às 22 horas.
Júlio Moreno, coordenador do núcleo de jornalismo da TV Cultura
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Eu adoro sair nas ruas de São sebastião no bLoco dos sujos. Cada ano que passa o número de integrante aumenta e ninguem tem que pagar nada por isso. é só vir fantasiado com algum tipo de comportamente ainda preconceituoso na sociedade e boa.
saem todos os anos, homens vestidos de mulher, de punks e outros. é tudo muito respeitoso e divertido além de quebrar muitos tabus na região.
Guilherme Moraes dos Santos
O carnaval de rua sobreviverá porque está plantado no coração do povo. A festa vem dos de "baixo", das manifestações mais singelas, da dor e do desespero de quem sofre, apesar da infinita euforia. O carnaval de rua assusta aos que estão em cima da pirâmide social, pois não há quem o controle. Os blocos carnavalescos desatinam em meio a praças e avenidas, enfeitando-nas em confetes e serpentinas; se desgovernam, estusiasmam a mais recôndita alma, ao mais arredio dos homens. É o instante do grito primordial, do Uno, do universal, do reconhecimento da existência. Por isso, nada pode deter o que é genuinamente humano, o que se fez no processo histórico e cultural do nosso imenso Brasil.
O carnaval atual resume se a bundas e seios, não é mais a cultura de um povo que eles se interessam em mostrar, mas sim mulheres desfilando e esbanjando sensualidade, e claro, carnaval deixou de ser cultural para se tornar comercial, o interesse agora é o lucro que ele dá, e as escolas nem precisam se preocupar em fazer um bom enredo, brasileiro se contenta com pouco.
Mas ainda assim, existem lugares que o carnaval é do povo, e não da elite, lugares em que se mostram a tradição local, lugares em que o verdadeiro carnaval permanece vivo.
O carnaval de rua sobreviverá porque está plantado no coração do povo. Ele assusta aos que estão no topo da pirâmide. Os blocos desatinam em meio a praças e avenidas, enfeitando-nas de confete e serpentina; desgovernam-se, entusiasmam a mais recôndita alma, ao mais arredio dos homens. Manifestam a dor e o desespero de quem sofre o ano inteiro, apesar da enorme alegria. É o instante do grito primordial, do Uno, do universal, do reconhecimento da existência, do que é genuinamente humano e natural, do que se fez no processo histórico e cultural deste imenso país.