Mais cuidado com os textos dos playlists veiculados no programa

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Ouvindo a RCAM, não pude resistir em postar essa bronca. E é uma bronca mesmo: Márcio, dizer q o Raul não estava falando sério nesse libelo anti-drogas é um deserviço aqueles q têm familiares e amigos vítimas das drogas!

A letra:
Não Quero Mais Andar na Contra-mão
(Raul Seixas)
Hoje uma amiga
Da Colômbia voltou
Riu de mim porque
Eu não entendi
Do que ela sacou
Aquele fumo rolou
Dizendo que tão bom
Eu nunca vi...

Eu disse:
Não! Não! Não! Não!
Eu já parei de fumar
Cansei de acordar pelo chão
Muito obrigado!
Eu já estou calejado
Não quero mais andar
Na contra-mão...

Da Bolívia
Uma outra amiga chegou
Riu de mim porque
Eu não entendi
Quis me empurrar
Um saco daquele pó
Dizendo que tão puro
Eu nunca vi...

Eu disse:
Não! Não! Não! Não!
Eu já parei de "hunfz"
Cansei de acordar pelo chão
Muito obrigado!
Eu já estou calejado
Não quero mais andar
Na contra-mão...

Titia que morava
Na Argentina voltou
Riu de mim porque
Eu não entendi
Me trouxe uma caixa
De perfume êê
Daquele que não tem
Mais por aqui...

Eu disse:
Não! Não! Não! Não!
Não brinco mais carnaval
Cansei de desmaiar no salão
Muito obrigado!
Eu já andei perfumado
Não quero mais andar
Na contra-mão...

Caro Nelson.
Vejo com muito bons olhos a oportunidade que o Radar Cultura permite, na veiculação e troca de idéias. Essa interatividade é, na minha opinião, magnífica.De fato é algo democrático, no sentido em que todos podem opinar.
Acima de tudo RESPEITO a sua opinião. No entanto me reservo ao direito em NÃO CONCORDAR EM ABSOLUTO com ela.
Senão vejamos:
1 – Ante de anunciar a composição “Não quero mais andar na contramão”( que conheço a letra tão bem quanto você), meu texto diz literalmente: “Nunca cedeu à mídia (ele o Raul), sempre fez questão de caminhar à margem das luzes, do colorido e das imposições do sistema. E com seu rock mais tranqüilo, ou mais incendiário, Raul ia fazendo, ao seu bel prazer, a sua crítica ácida...mesmo que lá pelas tantas tenha dito: ‘Não quero mais andar na contramão...não devia estar falando sério”.
Lendo, ou ouvindo com mais cuidado o texto, é óbvio que me referia ao “todo” de Raul Seixas. A sua postura durante sua vida, e carreira. O camarada que, de fato, fez questão de ter uma atitude, digamos, “marginal”, no bom sentido.
Nesse jogo de palavras, que está no meu roteiro, não há NENHUM “deserviço”, como você afirma. É apenas uma forma de dizer que, no fundo, Raul Seixas sempre foi o Raul Seixas, ou seja, poeta, lírico, mas também aquele que preferiu “caminhar na contramão” dos valores de um sistema que ele não concordava. Exemplos não faltam em composições como “Ouro de tolo”, ou em “É fim de mês”. Essas duas composições, e outras tantas, sempre demonstraram o Raul contestador. Foi NESTE sentido que me referi, no texto acima.
2 – Para o seu conhecimento, sou funcionário das Rádios e TV Cultura há mais de três décadas. E certamente que, se me faltasse “cuidado” com em meu trabalho, ou se fosse eu responsável por “desserviços” (termos usados por você), certamente seria uma irresponsabilidade, a quem de direito, em manter-me tantos anos, como profissional desta casa, a qual tanto me orgulho em pertencer.
Estou ao seu dispor para qualquer outro esclarecimentos.
Abraços
Márcio Barker

Caro, Márcio,
sem dúvida é maravilhoso poder ter essa interação com os agentes desses veículos irradiadores dessa cultura q (essa sim, na contra-mão) resiste a esse mercado q comercializa e nos impõe lixo cultural pela tevê e pelas rádios de massa. Parabéns, cara! Mas, mesmo fazendo esse trabalho precioso, não devemos (me incluo, pois tb faço a minha parte) estar infensos a críticas, e sim querer melhorar cada vez mais. E só melhoramos se admitimos q podemos errar. Acho mesmo q vc pisou na bola no seu texto. Vc sabe muito bem q o ouvinte de rádio não tem condições de voltar atrás o texto q ouve para poder apreciar o todo. O q foi dito por último fica mais do q o q foi dito antes. As palavras finais do seu texto antes de ser tocada a tal música do Raul foi de q ele não devia estar falando sério ao dizer q não queria mais andar na contramão. Logo depois rola a canção... É lógico q a associação com o texto canção ficou muito mais do q com o contexto em q vc disse a frase. Não fosse o assunto tão sério (drogas), não haveria problemas.
Veja: não estou questionando sua competência, e sim um detalhe do seu texto.
abraços.

Caro Nelson
Penso que esse "problema" na playlist do Raul se resume em três pontos: intenção, entendimento e subjetividade. Eu escrevi o texto com uma determinada intenção e você o entendeu de outro modo. Creio que a razão disso é a subjetividade que está em cada um de nós, seres humanos. De fato eu tinha os olhos no "todo" do programa, não no detalhe da canção. Se eu passei uma impressão contrária, eu lamento.
Fique a vontade para enviar críticas. Crescemos com elas. É legal interagir com ouvintes/internautas participativos como você. Suas playlists sobre o Maxixe e o Pessoal do Ceará são ótimas idéias. Implemente-as. Seguramente irão ao ar.
Abração e continue participando. Estamos no aguardo de novas idéias.
Márcio

Kosta, tenho que discordar de você. Li o texto do Márcio e toquei a música logo a seguir, usando como "cobaias" três sobrinhos adolescente. Nenhum deles entendeu que o texto se referisse à canção. E os três são meninos normais. E nem acredito que uma bobagem vá incentivar o uso ou recaída de narcodependentes. A menos que além de usar drogas a figura esteja abaixo da média de inteligência. E querer que um profissional de comunicação se preocupe com as possíveis e pouco prováveis consequências do que fale ou deixe de falar é quase uma piada, de péssimo gosto.

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