Na noite da última quinta-feria, 26 estudantes lotaram o espaço Aloysio Biondi, do centro de Imprensa/Redação-Escola da Oboré, para saber mais sobre a proposta do RadarCultura na Virada Cultural, evento que vai tomar as ruas de São Paulo nos próximos dias. Segundo Sérgio Gomes, diretor da Oboré, a reunião concretizou um dos principais propósitos da instituição: promover encontro de estudantes e jornalistas que se organizam voluntariamente para debater e refletir sobre o fazer jornalístico. Algo raro nas escolas e nas redações.
O que aconteceu ali também está nos objetivos do RadarCultura: ser um ambiente de convergência de interesses, de debates, reflexões, entre os cidadãos e a equipe da Fundação Padre Anchieta (jornalistas, produtores, artistas). Ser um laboratório para experimentar diferentes formas de produzir, organizar e processar informação.
Os alunos da Cásper Líbero, Mackenzie, USP, PUC, Uninove, UnicSul, FapCom, Unip, Anhembi-Morumbi, Rio Branco e Metodista dispuseram-se a integrar a primeira experiência de cobertura colaborativa do RadarCultura. Poucos se conheciam, mas todos compartilham de um interesse comum: o desejo de se tornar repórter. Alguns vão se deparar com esse desafio pela primeira vez. Justo no momento em que nós, do RadarCultura, estamos recrutando cidadãos, todos potenciais repórteres.
Com uma câmera ou um celular na mão, um gravador, ou mesmo um orelhão, qualquer um pode produzir notícia. E reproduzi-la. Num blog particular, no G1, no iG, no UOL, até na CNN. E aqui, neste site. E então, perguntamos: quem é este sujeito que abandona o status de mero espectador para se juntar ao time de jornalistas profissionais? E o que o diferencia de um estudante de comunicação e de um jornalista profissional? Estas categorias têm de receber tratamento diferenciado em relação ao acesso a fontes e informações?
Não há uma resposta precisa. Por isso, propomos que a cobertura da Virada Cultural sirva como uma grande experiência piloto, na qual nos expomos aos riscos de não submeter o conteúdo produzido por todos, ou qualquer um, a um processo de edição e hierarquização. Talvez tenhamos que repensar essa metodologia. A resposta ao RadarCultura quem vai dar é você, leitor, jornalista ou estudante.